
Carlos Duarte: «Há quem vá e corte com tudo (Portugal é o país das férias) e há aqueles – como eu – que vão e mantêm algumas coisas (alguns ingredientes para comida, algumas viagens sem serem de férias “puras e duras”) mas recusam outras (a tal integração na comunidade “expatriada”). Os primeiros sofrem sempre, os segundos serão cada vez menos Portugueses conforme passa o tempo mas aqueles como eu – e admito que sejamos a maioria nesta nova vaga de emigração – somos apenas um reflexo da nossa história de há meio milénio. Verdadeiros cidadãos do mundo, com Portugal no coração, mas com o coração aberto para partilha com outros.»
Helena Ferro de Gouveia: «Apesar de todas as dificuldades emocionais, a minha pátria afectiva, a Alemanha, ofereceu-me perspectivas profissionais/pessoais as quais dificilmente poderia sonhar em Portugal. Sem cunhas e fruto de muito trabalho. Regressar a Portugal é uma perspectiva que não me coloco nas próximas décadas e há muito que deixei de fazer férias na “pátria” em Agosto (perdi a paciência para as piadolas sobre emigrantes, que a crise tem amenizado mesmo assim). A vida é feita de escolhas, de alguns acasos e poucas certezas. Para além da chuva (da neve, granizo e um ou outro, raro, corpo celeste) nada cai do céu.»
João André: «É verdade que a internet veio romper com o anterior modelo de negócio dos media. Só que, tal como noutros casos (música, televisão, cinema), a internet acaba por ser o bode expiatório de todos os fracassos. Se a internet permite satisfazer, a baixo custo, a sede de notícias e a uma velocidade que os media tradicionais não podem igualar, também não deixa de ser verdade que, enquanto quarto poder, os media não podem aceitar ser ultrapassados por simples blogues, facebook ou twitter.»
Lutz Brückelmann: «Faz agora vinte anos que emigrei para Portugal, já vivi antes um ano aqui, e um outro na Índia. Não vou negar que o pessimismo e o queixume é algo de que se gosta em Portugal, mas a frase “encontrei as mesmas pessoas nos mesmos bares, sentadas nas mesmas cadeiras, com as mesmas conversas, dizendo mal de tudo e de todos. Uma década depois” podia ter eu escrito sobre as minhas visitas à minha terra natal, não só na Alemanha, mas numa das partes mais ricas e beneficiadas da Alemanha! Há sempre muitos que preferem queixar-se do que fazer qualquer coisa, nem que seja só ir para um outro lugar…»
Eu: «Há quem seja capaz de escrever sobre futebol espraiando-se com aparente sapiência sobre sistemas tácticos, opções técnicas, dinâmicas de jogo. Há quem se aventure vezes sem conta pelos mistérios dos mercados de transferências e quem debite na ponta da língua as linhas completas das equipas dominantes em vários países da Europa e das Américas e saiba de cor os nomes dos respectivos treinadores, mas seja incapaz de escrever uma só linha sobre as emoções do futebol ao vivo quando as bancadas se pintam de verde e branco. E no entanto nada há tão importante para entender este fenómeno sem par que é o futebol.»
