DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João André: «A pergunta sobre aquilo de que mais sinto falta tem evoluído com os anos. Começou por ser a família e os amigos (nunca desaparece), passou pela língua (a cabeça virava automaticamente sempre que ouvia português na rua) e pelo sol (ainda e sempre), a certa altura é mesmo a comida (mesmo que má) e passa sempre pelo estilo de vida (sinto por vezes falta do caos). Actualmente aquilo que me falta é o sentimento de pertença. Não me sinto como pertencendo a lado nenhum. Mal conheço a cidade onde nasci e cresci, a cidade das minhas felizes recordações universitárias parece ter desaparecido e a seguir não cheguei a ficar em lado nenhum tempo suficiente para criar raízes. Acrescentando a isso não ter uma companheira portuguesa e acabo por ser um estranho em todo o lado.»

 

Eu: «A lei de limitação dos mandatos autárquicos continua a ser alvo de decisões contraditórias dos diversos tribunais que têm apreciado as tentativas de impugnação de candidaturas – primeiro pelo chamado Movimento Revolução Branca, agora pelo Bloco de Esquerda. Estranha sintonia entre duas entidades que à partida pouco teriam a ver uma com a outra: rever-se-ão os bloquistas num movimento com designação tão duvidosa? A verdade é que, de todos os partidos com representação parlamentar, apenas o Bloco – que tem uma presença irrelevante no mapa autárquico português – defende o impedimento de candidaturas, a qualquer município do País, de todos os autarcas que tenham cumprido três mandatos consecutivos como presidentes de uma determinada câmara municipal ou de uma determinada junta de freguesia. É uma interpretação absurda, que diaboliza os autarcas enquanto ignora esta elementar realidade: cada um dos 308 municípios portugueses constitui uma entidade política autónoma, não podendo portanto confundir-se com nenhum dos restantes.»

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