
Helena Sacadura Cabral: «A consciência da idade desempenha um papel fundamental na nossa vida. O que se escreve, o que se diz, o que se pensa, a forma como nos olhamos depende de factores vários, cujo enquadramento específico é a nossa experiência vivida e, por isso, também a idade que então temos. Se assim é, porque será que tanta gente sente necessidade de a reduzir ou de a esconder? Alguma razão válida deve haver que eu não descortino.»
Patrícia Reis: «- Então, mãe, está tudo bem?
– Está muito calor.
– Aqui também, mas a praia é boa.
– Ainda bem. Tu estás bem?
– Sim, sim, estou feliz… Olha, não compres jornais hoje.
– Eu sei.
– Está a morte… está em todo o lado. O Urbano…
– Eu sei.
– Não compres. Nem vás à banca.»
Eu: «Na estética, tal como na política, ponho as maiores reservas às teses revolucionárias: é sempre preferível a evolução à revolução. Basta ver o que sucedeu na China de Mao durante a Revolução Cultural, que fez tábua rasa de tudo quanto cheirasse a “antigo”: foram destruídos templos, palácios, monumentos de todo o género, para restaurar uma pretensa “cultura popular” expurgada de todo o vínculo ao passado. Este pesadelo durou apenas uma década, mas deixou estragos ainda visíveis na milenar cultura chinesa.»
