
Gui Abreu de Lima: «Não te respeitam porque é fácil ignorar-te. Sabes porque te ignoram? Porque podes mais que eles. Que basta a chuva, que aguentas o sol, que te contentas superiormente com a vida. Que és a vida. Tomaram-te os homens, erva daninha. Sem ânsias, no espaço que é teu, sorrindo ao que pisa e passa, a olhares que não te deitam e à admiração que nem te devotam. És efémera, hastezinha, e os homens temem a impermanência. Vives pouco, e não se contentam com pouco. A tua grandeza não passa das solas dos seus sapatos.»
João André: «Eu não sei se ria ou se chore. Como esta criatura que já mentiu descaradamente nas páginas do jornal ainda consegue manter a coluna (e a posição de professor, já agora) é que não sei. Vá lá que nunca dei um tostão furado por um número onde ele escreveu. E depois espantem-se que perdem leitores. Tantos bloggers de qualidade por aí e continuam a levar com estes montes de lixo.»
José António Abreu: «Entretanto, na outra margem do rio, o responsável pelo sobreendividamento de Gaia esqueceu-se de colocar o símbolo do PSD nos cartazes de campanha mas promete heliportos, cortar o trânsito em parte da rotunda da Boavista e, numa tentativa de agradar aos abrunhosas do burgo, órfãos de carinho e fundos públicos há doze anos, centros de artes, fazer de Wim Wenders o embaixador do vinho do Porto e forçar a Academia de Hollywood a atribuir o Óscar honorário a Manoel de Oliveira. Diz o candidato: «É no centro-esquerda que se ganha a maioria absoluta e é para aí que aponta o nosso objectivo.» Julgando pela história recente do país, o centro-esquerda é bem capaz de lhe dar a vitória.»
Patrícia Reis: «A morte faz de mim cigana. Ando aqui. Dou de comer ali. Abraço aquele e o outro. Ligo telefones, desligo telefones, marco coisas, desmarco coisas, levanto o corpo para se colocar um último adorno. Brinco e faço um esforço a ver o esforço de todos. As lágrimas não me existem, não estão em mim. Há o momento e, como deduzo que exista num palácio, qual upstairs, downstairs, faço de Hudson, sou um mordomo que assiste às coisas da morte.»
