DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Campos: «Por motivos que não vêm agora ao caso, nos últimos tempos tenho andado próximo de Éris. Ora conta-se que, sendo a deusa da discórdia, Éris não foi convidada para as bodas de Peleu e Tétis. Nem por isso, porém, deixou de comparecer (uma deusa é uma deusa, que diabo); e, por despeito, deixou lá uma maçã de ouro com a inscrição “à mais bela”. Acontece que Hera, Atena e Afrodite tinham sido convidadas – e cada uma reclamou logo para si a maçã dourada. Zeus, não querendo envolver-se na discussão entre as deusas (não era parvo) mas tendo de resolver o impasse de alguma forma, passou a batata quente – ou a maçã quente, se quisermos manter a metáfora mitológica – para Páris. As deusas, como é evidente, não deram parte de fracas, e cada uma tentou subornar o desgraçado do Páris de acordo com os seus dotes: Hera ofereceu poder político; Atena, proezas marciais; e Afrodite, a mulher mais bela do mundo (Helena, que por acaso até era casada). Páris deu a maçã a Afrodite, e o resto – a Guerra de Tróia – é história.»

 

José António Abreu: «Os do Tribunal Constitucional já nos haviam informado (e provavelmente relembrar-no-lo-ão em breve) de que cortar despesa pública é ilegal. Os restantes vão no mesmo sentido. Portugal encontra-se cada vez mais a ser governado por juízes. Qualquer dia os ministros terão de os consultar antes de mandarem comprar clipes (ou, o que é mais provável, antes de proibirem a compra de clipes). Entretanto, os tribunais continuam lentos para tudo o que verdadeiramente importa e a corrupção permanece impune.»

 

Eu: «A cobardia em política é um pecado mortal.»

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