
Ana Vidal: «Olho as pessoas à minha volta e sinto-me em casa. Desta vez não é por mim que franqueio o portão, não há hesitação ou angústia que me tolham os passos. Mas será sempre por mim que voltarei. Uma estranha nostalgia faz-me correr a revalidar o cartão, expirado há anos, que comprova a pertença e me dá a ilusão de uma garantia de segurança. De salvação. Quem por cá passa ou mora algum tempo sabe do que falo: fica-se íntimo, solidário, cúmplice de uma espécie de partilha desesperada que nos une para o resto da vida, valha esse prazo o que valer.»
João André: «Temos então um país com um Presidente que reconhece lunáticos; um Governo que não sabe se o é, com ministros que não sabem o que são e líderes da oposição que não sabem se o são; e obrigado por um grupo de especialistas do Excel que obriga o Estado a desfazer-se dos serviços lucrativos enquanto paga por esse privilégio. Um bom retrato.»
José António Abreu: «Com marcação de eleições antecipadas ou validação da proposta de remodelação apresentada em Belém há semana e meia (um cenário tão mais provável que, ontem no Parlamento, Passos Coelho já se permitiu referir-se-lhe como o natural passo seguinte), quando é que acaba o intervalo?»
Luís Menezes Leitão: «Custa-me ver, no entanto, o Presidente e os partidos a fazerem os eleitores de parvos. Nunca o Presidente deveria ter proposto semelhante aberração política e, se o tivesse efeito, os partidos deveriam tê-la liminarmente rejeitado. E não é por se chamar de salvação nacional que este compromisso mereceria a mínima credibilidade. A seguir ao 25 de Abril também se constituiu uma Junta de Salvação Nacional. A mesma foi logo substituída por um Conselho da Revolução que mergulhou o país no PREC.»
Eu: «Que cisão? Em mais de 30 anos de democracia, tenho visto muitos membros do PCP engrossar as fileiras do PS mas não me lembro de um só movimento na direcção contrária. Alguém até hoje rasgou o cartão de filiado no PS para se tornar militante comunista ou bloquista? Não vale a pena mencionar nomes: poderia indicar aqui largas dezenas de ex-militantes do Comité Central do PCP, de antigos autarcas, sindicalistas ou deputados do partido da foice e do martelo que passaram a rever-se no conteúdo programático do PS. O próprio Mário Soares, que agora acena com esse tigre de papel, fez esse percurso: trocou o comunismo pelo socialismo democrático. E até este, no momento próprio, foi remetido para o fundo de uma gaveta.»
