DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Na secção de voto onde exerci hoje o meu dever/direito, reparei numa cena inédita e curiosa: várias pessoas usavam as suas próprias canetas e evitavam tocar no balcão de voto, outras tiravam de carteiras e bolsos umas “toalhitas” húmidas (presumo que desinfectantes) e limpavam freneticamente as mãos, saindo com ar desconfiado e incómodo daquele antro de contaminação, sabe-se lá de quê. Chamem-me inconsciente, mas eu usei a caneta atada ao cordel e dei beijos e apertos de mão a alguns conhecidos que por lá encontrei. Até ver, estou viva e de boa saúde. Mas sei que ainda está para chegar a noite, com notícias eventualmente mais letais do que uma mísera gripe. Comparado com os políticos que temos, o vírus A é um menino de coro.»

 

João Carvalho: «Televisões e políticos através das televisões vão repetindo à exaustão que “o acto eleitoral tem estado a decorrer com toda a normalidade” e que “não se tem registado qualquer anomalia”. Ora, se nós temos resistido estoicamente e legislatura após legislatura ao pior que a política tem para nos oferecer, agora esperavam o quê? Que fôssemos para as mesas de voto aos tiros? Não há pachorra para tanto disparate dito e redito.»

 

Eu: «A CDU venceu. Na Alemanha.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. Eu sempre que posso gamo a esferográfica. Colecciono desde 1946 todas as esferográficas usadas em actos eleitorais (e não as dadas durante as campanhas, atenção!) . Aliás, recentemente, contactei, o meu caro, Zé Pacheco Pereira para juntar o meu acervo ao dele.

    1. Há dez anos estava no auge a paranóia com a gripe A. Já ninguém se lembra: a memória das pessoas é curtíssima.
      Apareciam por toda a parte aqueles desinfectantes de mãos que agora (vá lá saber-se porquê) quase só subsistem na Assembleia da República e as autoridades repetiam até à náusea que havia necessidade imperiosa de termos as mãos sempre desinfectadas. A mania – que sempre considerei absurda – do “passou bem” de mão estendida a qualquer um tornou-se obsoleta.
      Gamar canetas era há dez anos actividade de risco. Não de risco policial mas de risco sanitário.
      Eu – e nada tem a ver com a gripe, seja de que letra for – recorro à caneta que sempre me acompanha. Nada de confiar em esferográfica alheia: nem imagino que imprestáveis forças políticas aquilo já favoreceu antes de eu lá chegar.

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