
João André: «Por um lado temos os eleitores que devem eleger representantes e fiscalizar a sua acção. Por outro temos os eleitos que devem cumprir tanto quanto possível as promessas através das quais foram mandatados. Se o governo que apoiam faltar a essas promessas, devem então ou agir ou aceitar que os eleitores ajam por eles. Nesse aspecto, a inacção é uma acção em si mesma.»
José António Abreu: «Falo ao telefone com uma lisboeta que não conheço de lado nenhum sobre assuntos de trabalho. Saliento um ponto qualquer. Ela replica: «Ó querido, mas isso queria eu!» Fico um tudo-nada perturbado, não apenas pelo «ó querido» mas pela frase completa e, acima de tudo, pelo tom em que é pronunciada. Sinto-me como se tivesse acabado de descobrir estar metido num casamento semi-gasto, no qual subsiste alguma ternura mas onde já não se esconde a impaciência. Ainda por cima, casado com uma mulher que, repito, nem conheço pessoalmente e que usa expressões como «ó querido». Mas depois, durante o resto da conversa, que dura mais do que o necessário porque ela tem que dizer tudo pelo menos três vezes (um defeito mais português do que feminino), o meu problema é mesmo conter a vontade de a tratar do mesmo modo. É que «ó querida, eu percebi à primeira» vem tão a propósito… Mas resisto. Ainda era acusado de assédio sexual. Ou, no mínimo, de machismo.»
Luís Menezes Leitão: «É comprar um Banco por 40 milhões de euros e depois apresentar ao vendedor uma factura de 100 milhões.»
Eu: «Que tudo isto aconteça graças à investigação do El Mundo, um diário cuja linha editorial é próxima do partido do Governo (e que já havia perturbado o poder socialista, com Felipe González, ao divulgar os escândalos Filesa e GAL, e com Zapatero, ao tornar públicas as actas das conversações secretas entre representantes da Moncloa e a cúpula da ETA), constitui uma vitória do jornalismo. O que teima em permanecer vivo, por mais certidões de óbito que lhe sejam decretadas. O que demonstra ser um legítimo seguidor do histórico Washington Post, que fez tremer e cair um presidente norte-americano, o político mais poderoso do planeta. O que não se rende, o que não se verga, o que não se cala.»
