DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José Navarro de Andrade: «Em 1991 Lars von Trier estreia “Europa” e ascende ao galarim do cinema. Qualquer espectador prudente sabe que é atingido pelos filmes, dependendo do humor que tinha quando o viu, do estado de espírito que a vida lhe proprocionava naquele momento, do maior ou menor interesse da companhia ou, mesmo, da dureza da cadeira. A mim, “Europa” atravessou-me como um raio de luz negra, definitivamente esclarecedor. Muitas são as vezes que o recordo, a sussurrar-me ao ouvido explicações para o que ao meu redor vai acontecendo. Hoje, por exemplo, não consigo livrar-me da sequência inicial de “Europa”, a repetir-se na minha memória.»

 

Luís Menezes Leitão: «Passos Coelho diz que acabou de descobrir uma “fórmula” que vai assegurar a estabilidade da coligação. Isto parece a estória infantil do aprendiz de feiticeiro. Depois de os dois líderes da coligação terem atirado o país para o desastre ainda acham que vão inventar uma qualquer fórmula mágica que permitirá reverter o processo. Essa fórmula apagará naturalmente tudo o que se passou nos últimos dias: a demissão de Gaspar, a nomeação de Maria Luís Albuquerque, a demissão de Portas, o discurso de Passos Coelho, o crash da bolsa, a subida dos juros, e tudo o mais que se lembrarem. Valha-nos a fórmula.»

 

Eu: «A única certeza que temos é a de vivermos num tempo de incertezas. Gostaria de vaticinar que destes anos tumultuosos que vamos testemunhando sairá um mundo mais livre. A isso me induz a comparação entre 2013 e 1913: o ser humano aumentou em décadas a esperança de vida, foram debeladas doenças epidémicas, a maioria dos habitantes do planeta vive hoje em países democráticos, as generalizadas sombras da guerra deram lugar a inúmeras peregrinações pela paz. Mas sei bem que a história é feita de linhas sinuosas, não de rectas. Os amanhãs não cantam – talvez até chorem. Devemos estar sempre preparados para o pior.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. Gostaria de vaticinar que destes anos tumultuosos que vamos testemunhando sairá um mundo mais livre.

    No post posterior o mesmo autor contradiz o seu vaticínio.

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