DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Gui Abreu de Lima: «Tendes nada. Mas eu andava a criá-las. Queria. A porta aberta para a rua, o vento a dançar com a cortina e o cão a pensar que é gente, a noite, o muito tarde da noite, a brisa que me afaga as pernas, e esse ar, que por onde andou ninguém sabe mas é um sopro do amor.»

 

José Navarro de Andrade: «É cómico ver a quantidade de senhores na TV, graves e argutos, a descreverem definitivamente como procederia Paulo Macedo assim que tomasse posse do magistério das Finanças e prosseguirem, sem uma beliscadura no tom e na pose, em dissertações de supina ciência acerca do que fará Maria Luís Albuquerque mal ouviram que foi afinal ela a nomeada.»

 

JPT: «É certo que cada um escreve o que lhe apetece, e que a liberdade de imprensa é um valor fundamental em democracia. Mas se foi para publicar imbecilidades inconscientes destas o arquitecto José António Saraiva podia deixar o seu jornal na nossa terra, e não vir armar-se em incendiário para terra alheia. Num registo inacreditável, o mais baixo possível. Sem rodeios, desprezível.»

 

Laura Ramos: «Confesso que exulto quando vejo confirmados, de maneira autorizada, os juízos que a experiência me fez construir acerca das desvantagens do ensino misto, passada que está a era da desigualdade de oportunidades educativas e do apartheid social que levava a separar meninos e meninas, por causa do temor de enrolanço fulminante entre as partes ou dos funestos efeitos do seu livre convívio na paz das famílias e das paróquias em geral.»

 

Luís Menezes Leitão: «Passos Coelho sustentou até ao limite do sustentável um Ministro das Finanças que não acertava uma, para vê-lo fugir precisamente na altura em que a troika vai começar mais uma avaliação. E não arranja mais ninguém para o substituir do que a Secretária de Estado que tem estado debaixo de fogo por causa dos swaps. Pareceria uma brincadeira de mau gosto se o assunto não fosse sério de mais. Vítor Gaspar era o verdadeiro Primeiro-Ministro deste Governo. Agora que se foi embora, é mais que altura de Passos Coelho o seguir. Porque já toda a gente percebeu que com estes protagonistas não vamos a lado nenhum.»

 

Patrícia Reis: «O que eu gostava de ter mesmo era uma decisão tomada, conseguir dizer: tenho dinheiro para pagar todos os subsídios a tempo e horas, como acontece há 17 anos. Não sei porquê mas algo me diz que, depois de uma força aqui e um empurrão acolá, chegarei ao meu objectivo. Eu não terei subsídio? Não faz mal. Quem tem uma empresa no mercado, uma micro empresa, diga-se, tem de viver com estas coisas.»

 

Teresa Ribeiro: «Em Portugal a política faz-se em função dos partidos e não em função do país. Por isso não se governa com ambição, gere-se a vidinha, faz-se o que se pode. Pactos de regime? E depois como fariam oposição os partidos da oposição? E qual seria o discurso dos sindicatos?»

 

Eu: «Revejo-me naturalmente nas decisões dos tribunais de Évora, Guarda, Loures e Tavira. E considero, pelo contrário, que as decisões dos juízes em Lisboa e no Porto, dando provimento às participações do Movimento Revolução Branca, são uma preocupante compressão de direitos políticos que a lei não prevê e a jurisprudência não pode consagrar. Sob pena de, daqui para a frente, tudo passar a ser revisto, numa óptica restritiva, em matéria de direitos, liberdades e garantias.»

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