DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «”Asfixia democrática” é uma expressão irritante, mas, mais do que isso, é estúpida e incorrecta. Há nela uma incongruência gritante: por definição, uma asfixia é um gesto impositivo e violento. Logo, não é democrático, só pode ser ditatorial. Já uma democracia, pode ser asfixiada. Ou, em casos excepcionais (de má interpretação ou excesso de zelo), asfixiante. Nem sempre nos saem bem os mabalarismos linguísticos.»

 

João Carvalho: «Temos os chamados países industrializados (ou do Primeiro Mundo) e os países do Terceiro Mundo (ou em vias de desenvolvimento). Os primeiros são os da União Europeia mais uns quantos de fora incluídos no G-20; os outros são os restantes. Parece que não sobra nenhum, certo? Errado. Sobra o nosso, que não pertence obviamente ao Terceiro Mundo e não é decididamente um país industrializado. Portanto, Portugal constitui, sozinho, o desconhecido Segundo Mundo. O que faz de nós uma espécie de irredutíveis gauleses do século XXI. Só falta sabermos se e quando irá cair-nos um pedaço de céu em cima da cabeça. Ou talvez o céu desabe completamente.»

 

Leonor Barros: «A caminho de casa o meu carro deixou de fazer pisca para a esquerda. Não sei se trata de um conselho ou de um prenúncio.»

 

Luís M. Jorge: «Os barões do Partido Social-Democrata disseram nesta campanha que nos os últimos 14 anos só governaram três. Para eles isto é uma declaração de virtude, para mim é uma confissão de fracasso. A um partido que perde repetidamente com o seu adversário não fica bem invocar derrotas humilhantes para legitimar a aspiração de uma vitória. Votem em nós porque somos falhados é capaz de não ser um bom argumento para levar hordas às urnas no dia 27.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Um governo minoritário poderá vir a considerar-se forte e a assegurar a estabilidade da legislatura durante os próximos quatro anos. Se eu não estiver errado, nem estiver a ser demasiado lírico, há males que vêm por bem. Aguardemos, pois, as 20h de 27 de Setembro.»

 

Teresa Ribeiro: «Tal como os aniversários, as eleições também se prestam a balanços. Olho para trás. Há quatro anos, ou mesmo há seis, arredondando, há dez anos, do que nos falavam os políticos em época de eleições? Não me refiro à espuma, mas à substância. Aos dossiers dos… como é que eles dizem? Dos “problemas estruturais”. Educação, Justiça, a reforma da Administração Pública… Os problemas estruturais que paralisavam o país, que era urgente resolver. Há quantos anos são urgentes?»

 

Eu: «O PSD chega a estas legislativas em péssimo estado anímico, no termo de uma campanha desastrosa em que falou de quase tudo – “asfixia”, o perigo espanhol, o comboio de alta velocidade, as escutas – menos do que devia: a grave crise económica num país que tem as maiores assimetrias de rendimentos da União Europeia, cerca de dois milhões de pobres e mais de 600 mil desempregados. Um país em que o investimento público caiu 32% nesta legislatura.»

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