
João André: «Os metadados podem ser mal interpretados. Se existirem dados reais de comunicação, também. Não há capacidade em termos de pessoal para fazer uma investigação correcta. Os programas que monitorem a comunicação podem ser facilmente enganados (nos dois sentidos). A única solução é a de dar liberdade aos cidadãos sabendo que disso decorrem riscos para a segurança. É o compromisso. Prefiro esse à alternativa.»
JPT: «Somos visitados por um amigo daqueles, dos de décadas de amizade. Um tipo da música, espectáculos. Simpático, traz prendas, algumas gastronómicas, daquelas da saudade. Enquanto as degustamos falamos do aqui, Moçambique. E também da gasta pátria, pouco, para não desanimarmos. Ouço do como está o meio da música. Dos discos que, claro, não se vendem, dos espectáculos que, enfim, quase não existem, um panorama de arrepiar, talvez não tanto para os nomes muito estabelecidos, mas para muito boa gente.»
Luís Menezes Leitão: «Não me lembro de ter assistido a uma gestão mais desastrosa de uma greve como a que foi realizada pelo Governo. Desde o início ignorou o descontentamente existente na classe dos professores, julgando que tinha instrumentos à sua disposição para minimizar os efeitos da greve. Primeiro surgiu uma artilharia de comentadores, a tentar convencer a opinião pública de que a greve era ilícita ou imoral, tentando assim desmobilizar os professores. Depois o Governo ameaçou com a requisição civil, contando que o Tribunal Arbitral decretasse serviços mínimos, apesar de o ensino não estar legalmente tipificado como um dos sectores em que é possível essa designação. Perante a recusa do Tribunal Arbitral em decretar esses serviços mínimos, o Primeiro-Ministro ameaça alterar a lei, fazendo lembrar o Ministro da Guerra de Salazar, Santos Costa, que quando era acusado de estar a violar a lei, respondia que a lei estava na ponta da sua caneta.»
Patrícia Reis: «Admira-se esta docente que houvesse “questões dúbias” sobre Ricardo Reis, por sinal um dos mais dúbios autores da literatura portuguesa, heterónimo de um poeta que ultrapassava os restantes naquela ambiguidade que por vezes molda o génio. Dúbio, em literatura, não é defeito: é qualidade. Queria o quê, doutora Edviges? Um teste à americana, cheio de quadradinhos, como quem preenche um boletim do Euromilhões?»
Teresa Ribeiro: «Se os produtos da terra mudaram, dos alimentos de origem animal é melhor nem falar. Os ovos andam estranhos, demasiado quebradiços e com corantes a pintar as gemas. O peixe, contaminado pela poluição das águas, não se recomenda. O melhor é consumir o de plástico, alimentado a ração. A carne, já se sabe, provém de animais criados à pressão, sob stress tão intenso desde que nascem até que morrem que só podem sofrer de grandes perturbações. Alimentamo-nos pois de animais loucos, a que dão antibióticos para se aguentarem dentro dos padrões considerados próprios para consumo até ao dia do abate.»
