
Ana Vidal: «Nelson Mandela, incomparável herói, resiste à morte como resistiu à prisão, à injustiça, à adversidade: com uma determinação tranquila. Talvez porque sabe, lá no fundo, que nunca morrerá. Mesmo que os boletins médicos o anunciem, mesmo que os telejornais espalhem a notícia, mesmo que os olhos do mundo se encham de lágrimas, mesmo que os grandes da Terra louvem o seu exemplo desaparecido com ocas palavras de pompa e circunstância. Ele sabe que será eterno. Merece sê-lo, como muito poucos.»
JPT: «A última vez que compareci às comemorações oficiais do 10 de Junho em Maputo foi há 10 anos, e sei bem quando foi pois ainda vivia na F. Engels, ali vizinho da residência do embaixador. Cheguei bem tarde, vindo um trabalho entre Boane e Moamba, mas ainda lá fui como sempre o fazia nesta data. Quando cumprimentei o funcionário público que então ocupava as funções de representante, ele ficou a olhar insistentemente para a minha ausente gravata. Eu não lhe disse o impropério que ali mereceu – na época era cooperante, tive que aguentar – mas nunca mais lá voltei. Já agora, os últimos três embaixadores portugueses foram muito fraquinhos, e um tipo, ainda para mais tendo conhecido as verdadeiras excelências que os antecederam, perde a paciência para o mero aparelhismo, mesmo que doirado com o brilho do simbólico.»
