DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Gui Abreu de Lima: «Ainda não dei os parabéns aqui no Delito ao FCP à equipa Tri. Faz 120 anos, como atesta a tábua velhinha com o sempre fresco, sempre vivo, emblema do clube.»

 

João Campos: «Se há coisa de que os livros não gostam – para além das labaredas que muitos stocks esquecidos em armazém acabam por conhecer – é de chuva e humidade. Também por isso é de louvar que a organização da Feira do Livro de Lisboa tenha percebido, após vários anos a insistir com o arranque do certame ainda em Abril e a prolongá-lo só até meados de Maio, que talvez a coisa corra melhor mais perto do Verão (nem sempre o óbvio é evidente, como se vê). Na única ocasião em que me desloquei à Feira no ano passado, o cenário era desolador: pouca gente no parque, bancas envolvidas em plástico, livros humedecidos, e uma carga de água das antigas. Já este ano, o inverso: duas vezes até ao momento, sempre com sol. Muito sol e muito calor, como apetece. Os livros agradecem. E eu também, mesmo sendo mais dado às estações frias.»

 

Teresa Ribeiro: «Maria Alice caiu, bateu com o joelho e ficou lesionada. O médico assegurou-lhe que no mínimo teria de ficar em casa duas semanas com a perna estendida, o suficiente para ter de desistir daquele trabalho que lhe ia pagar as contas. Mas que azar!, pensou, com todas as fibras do corpo. Essa intensidade vinda do fundo de si foi como uma onda que a mergulhou por momentos na tepidez da autocomiseração. Mas habituada que estava a não dar tréguas ao que lhe irrompia do peito, depressa passou aquele acesso depressivo pelo crivo da auto-análise.»

 

Eu: «All in the Family (que uma feliz tradução portuguesa baptizou de Uma Família às Direitas ao ser exibida na RTP) tinha diálogos de cinco estrelas, que nos faziam rir até às lágrimas, tornando Archie num ícone popular, malgré lui e as ideias que propagava. Algumas das suas expressões incorporaram-se no vocabulário comum, como “fecha a matraca” (a ordem da praxe para mandar calar a incomparável Edith, a mulher que lhe aturava todos os caprichos) ou “cabeça de abóbora” (o feroz qualificativo que reservava ao genro). Era uma série de texto, mas também de actores, servida por um quarteto de intérpretes de luxo. Carroll O’Connor (Archie), Jane Stapleton (Edith), Sally Struthers (a filha, Gloria) e Rob Reiner (o genro, que na vida real se tornaria realizador de filmes inesquecíveis, como Misery ou When Harry Met Sally). Era um tempo em que nos podíamos rir de todos os tiques e de todos os dogmas. Antes da televisão padronizada, liofilizada, industrial e politicamente correcta.»

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