
Bandeira: «Mesas e cadeiras sobrevivem entre barcos sem uso, pilhas de garrafas vazias e tralha de toda a espécie. O Zé (um natural do Dafundo: ele lembra-se até de ter andado ao colo da Condessa de Ribamar, hoje com uns cem anos) foi o primeiro a trazer-me a este reduto, meses atrás, e a mostrar-me a engenhosa cadeira que se vê no postal. Aponto-a ao João que, não sem orgulho, avoca para si a autoria da peça: fê-la a partir de dois objets trouvés. Tiro-lhe o retrato com a sua obra de arte.»
Fernando Sousa: «António Pires de Lima disse esta manhã à Antena 1 que existe “consenso” no Governo para que a nova taxa sobre os reformados não seja inscrita no orçamento de 2014. É extra-ordinária a capacidade de manipulação desta gente! Extra-ordinária!»
José António Abreu: «Os Low (Mimi Parker e Alan Sparhawk, casados, mórmones, dois filhos, desde há uns anos acompanhados pelo baixista Steve Garrington) são uma paixão de meia dúzia de pessoas. Enfim, meia dúzia e eu. No início da carreira, ainda em plena onda grunge, a sua música lenta, embora intensa, foi muitas vezes mal recebida em concerto. Diz-se que eles reagiam reduzindo o nível da amplificação. Mais tarde introduziram algumas variações de ritmo e, desde Trust, de 2002, quase todos os álbuns incluem temas mais… hmmmm, digamos animados, com destaque para The Great Destroyer, de 2005, onde se encontra uma das (é verdade que muitas) canções da minha vida: When I go deaf (abaixo, em actuação ao vivo; aqui, em versão de estúdio, com melhor som de forma a nenhuma palavra ficar pelo caminho). No último álbum, The Invisible Way (single acima), Mimi canta mais do que é habitual mas isso está longe de ser um ponto negativo. A qualidade mantém-se.»
Luís Menezes Leitão: «Parece que o CDS, depois de ter jurado que a taxa sobre pensões era uma fronteira que não podia ser ultrapassada, afinal já permite “excepcionalmente” que as tropas estrangeiras passem a fronteira. O problema é que quando as fronteiras são atravessadas, a ocupação só termina se o ocupante quiser. O CDS passou a ser assim neste momento um partido tomado e por muito que queiram negar o óbvio, nem o talento político de Portas o tirará do sarilho em que se meteu. Todas as suas bandeiras eleitorais como o apoio aos reformados e a defesa dos contribuintes se esfumaram nesse instante. Resta-lhe continuar no Governo até ao fim, sabendo-se que agora que já nem sequer conseguirá evitar o descalabro para onde está a ser conduzido.»
Teresa Ribeiro: «Avaliou-o, indiferente ao que dizia, tentando adivinhar o que separava aquele homem subitamente envelhecido do virginal candidato que arrematara, há dois anos, uma vitória eleitoral com 38,6% de votos. Odiado por alguns dos seus pares, representantes do poder instalado, essa circunstância era vista como um sinal de esperança até por alguma esquerda que ansiava por reformas, viessem elas de onde viessem. Louro e de olhos claros, como o próprio el-rei D. Sebastião, e acolitado pelos escudeiros do FMI, dizia-se que tinha tudo a seu favor. Até a situação desesperada do País serviria como um poderoso argumento para enfrentar os lóbis e forçá-los a ceder. “Em dois anos envelheceu dez”, anotou com frieza, comparando a seguir a sua devastação com a dela. “Há dois anos não estava a ver televisão em casa a meio da tarde”.»

Não esquecerei as crónicas do Bandeira sobre o Dafundo,respectivo café e habituados,habitantes digo.Mais os retratos.