
Ana Lima: «Há bocado, numa papelaria, passei os olhos pela capa da revista Visão desta semana. Sou só eu que a acha de um mau gosto atroz?»
Laura Ramos: «Habituados a lidar com práticas de transparência, accountability e distinção ecológica entre o público e o privado, gostámos de tanta atenção.»
Luís Menezes Leitão: «Primeiro foi o confisco dos salários dos funcionários públicos. Depois passou-se ao confisco das pensões. A seguir entrou-se nas tributações confiscatórias. E agora fala-se no confisco dos depósitos bancários. Tudo perante uma constituição que garante o direito à propriedade, proibindo o confisco. Vivemos num país onde o Estado de Direito e o respeito pela legalidade se tornaram palavras vãs. Neste momento vale tudo e, pior do que isso, os cidadãos sabem que em qualquer momento pode valer tudo.»
Eu: «Questiono-me: será que para Jorge Miranda tudo é inconstitucional – do aborto aos cursos da Faculdade de Economia da Universidade Nova, do casamento homossexual à junta de freguesia do Parque das Nações? Será que, no limite, até os doutos palpites do eminente constitucionalista poderão estar feridos de inconstitucionalidade?»

agora fala-se no confisco dos depósitos bancários. Tudo perante uma constituição que garante o direito à propriedade, proibindo o confisco
Agora fala-se em confiscar as casas das pessoas para as arrendar a quem apetecer ao Estado.