DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Campos: «O jornalismo de investigação está mesmo em vias de extinção; quanto aos mais novos – e creio que os meus 27 anos me permitem ainda fazer parte do grupo -, diria que não compram jornais e revistas porque estes meios há muito que deixaram de trazer algo que lhes interesse. Exceptuando casos muito pontuais, para os jovens comprar um jornal ou uma revista é deitar dinheiro à rua, algo que se torna mais grave quando este está longe de ser abundante. A espuma dos dias pode ser lida na Internet (e se há coisa que os mais novos têm é ligação à Internet), de forma gratuita, tanto nas páginas online dos jornais como nos blogues de opinião – com a vantagem, neste último caso, de o alinhamento dos blogues ser quase sempre evidente. E se vamos procurar temas mais específicos, um leitor fica muito mais bem servido na Internet, pois a diversidade e a qualidade oferecida é incomparavelmente superior.»

 

JPT: «Houve agora uma votação no seio da Comissão Europeia intentando banir estes pesticidas, protegendo a população das abelhas. Mas neste processo não só se introduziram “nuances” (daquelas que minoram os efeitos positivos almejados – no caso julgo que, pelo menos, restringindo a proibição a culturas directamente procuradas por abelhas), como sete países se recusaram a votar favoravelmente, impedindo uma maioria qualificada na votação que permitiria uma rápida, abrangente e eficaz política de protecção. Portugal, que neste assunto se representa pela ministra Assunção Cristas, numa questão desta gravidade ecológica decidiu… abster-se. Em defesa das indústrias produtoras (Bayer, Syngenta), pedindo (tal e qual num blockbuster americano) “mais estudos”, o velho argumento dilatório.»

 

Eu: «Pais e Filhos fala-nos do que permanece imune à passagem do tempo, da natureza que cumpre o seu destino indiferente às paixões humanas e dos genuínos afectos, capazes de formar de modo mais decisivo um carácter do que toda a sabedoria académica. É um romance quase musical, cheio de admiráveis diálogos e onde inesperadamente surge um trecho de Schubert ou Mozart que imaginamos mesmo escutar, tal é o poder sugestivo do escritor. Ivan Turguéniev acreditava – como depois dele aconteceria com Henry James ou Joseph Conrad, por exemplo – que o maior dever moral de um romancista é escrever bem.»

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