
Eu: «São números aterradores, espelho fiel de uma receita que falhou. Prossegui-la é desembocar no desastre: como Santiago González escreve na sua coluna de hoje, também no El Mundo, Hitler chegou ao poder precisamente quando a Alemanha acabara de ultrapassar a cifra dos seis milhões de desempregados. Manter esta receita é fomentar a revolta daqueles que, sem nada, estão dispostos a tudo. Atribuir-lhe a caução de instituições como a União Europeia e o Banco Central Europeu é implodir o projecto europeu, condenando-o a um irremediável fracasso – e fazer a Europa recuar 80 anos. À década de 30, precisamente. Lembrem-se do que ocorreu em Espanha nesse período de má memória: uma guerra civil com um saldo sangrento de mais de 600 mil mortos. O franquismo acabou por conduzir ao pleno emprego, mas à custa da asfixia de todas as liberdades essenciais e de movimentações maciças de espanhóis para os destinos da emigração, com destaque para a França, a Alemanha e a América Latina. Jean-Claude Juncker bem avisou, recentemente: os piores fantasmas da História podem sempre voltar.»

A Espanha sempre teve desemprego (oficial) muito alto, mesmo muito antes da crise que começou em 2011. E esse desemprego nunca foi verdadeiramente dramático, em parte porque muitos espanhóis trabalham na economia paralela. Ou então, estão desempregados durante parte do ano, mas no resto do ano, na época turística, amealham o suficiente para sobreviverem.