
João Paulo Silva: «No meu caso tenho 31 anos, quando fiquei desempregado tinha quase 30 anos, e já não me roubam os 6% (terminou o subsídio de desemprego a que tinha direito). Ingenuamente, confesso, cheguei a pensar não pedir o subsídio de desemprego por pensar conseguir empregar-me rapidamente e no entanto já passou mais de um ano e o subsídio terminou.»
José Navarro de Andrade: «O partido dos rancorosos em Portugal já tem demasiados sócios para que venha agora outro – eu… – acrescentar-se aos lamentos pelo estado da nação. “Eles deviam de…” é mais ou menos o mantra incessantemente murmurado pelos impotentes da indignação, pelos zangados da perpétua revolta e pelas carpideiras de um putativo passado glorioso, que aos desse tempo bem se disfarçava.»
JPT: «Só hoje vejo este “O Barão”, de Edgar Pêra. Se eu pensasse que o Pêra, que é um tipo que eu não encontro para aí há 20 anos, serve para representar algum colectivo que me seja mais ou menos vizinho, ou dele emane, este filme seria a forma de me reconciliar com essa qualquer entidade, com a qual a amargura dos anos passados talvez me tenha azedado o amor. Mas não penso isso, até porque me vão dizendo que o homem não mudou muito e nisso não se terá amarfanhado, e ainda bem que assim é. Porque o filme é sumptuoso, iluminado. E dele. E arrebata-me. Uma apneia, avassaladora.»
Patrícia Reis: «O futebol é-me insuportável. Respeito e escondo-me de tudo e todos quando há futebol. Há futebol todos os dias. Ando escondida todos os dias. Agora temos uma coisa preta que grava jogos e os meus filhos que querem ver os jogos a preto e branco dos anos 60 que a RTP Memória transmite. O meu buraco é cada vez maior.»
Teresa Ribeiro: «Como muitos, já não assisti ao segundo tempo de antena de Sócrates. E espero que de domingo para domingo as baixas aumentem, porque negar audiências a quem prestou um mau serviço ao país é um acto de cidadania.»
