
Gui Abreu de Lima: «Há dias falava de palavras, do estardalhaço ininterrupto que fazem dentro de nós, dos estragos capazes de provocar. Há-de ser assim com todos, fazendo menos mossa a uns, que as gerem melhor, mais a outros, que sufocam se lhes não dão primazia, andamento e caminho visível. Tempos houve em que me acalorava a conversa, a comunicação, a fala, o desabafo, as ideias. Hoje, nada disso me interessa como outrora. Chego a ter saudades do silêncio. Palavras leva-as o vento, estrebucha o ditado em mim. Estafam-me conversas sérias, cansam-me as opiniões sobre tudo e mais alguma coisa. Os porquês disto e daquilo, que se exigem a ferro e fogo, servindo umas poucas de inverdades e de loucuras. Encantam-me os que sem abrir boca dizem tudo. E vou à lua com os que teimam fazer com o gesto o seu discurso, a sua declaração de amor.»
José António Abreu: «Mário Soares acha possível «um entendimento bastante grande» entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda. Por uma vez, concordo com ele. A deriva do PS para a esquerda, adoptando posições cada vez mais parecidas com as do Bloco, pode permiti-lo. O problema seria após formarem governo, quando o realismo voltasse a entrar no Largo do Rato. O realismo que forçou o mestre da fantasia que o liderou antes a apresentar, de mão estendida em Bruxelas, PEC após PEC com medidas de austeridade. O realismo que leva Hollande a nada de essencial ter mudado em França desde que foi eleito. O realismo que o pessoal do BE adoraria.»
