DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José António Abreu: «Verificar o nível de respeito que tantas almas, partidárias ou comentaristas, exigem pela decisão do Tribunal Constitucional, bem como as formas reclamadas, implícita ou explicitamente, para que tal respeito se manifeste (concordância, silêncio), gera em mim uma imensa ternura ou o mais profundo asco, consoante tenha acabado de ouvir uma bela música ou entalado o dedo numa gaveta. Neste país onde o sistema de Justiça merece integralmente a imagem que tem e, na sua acepção mais negativa, o próprio qualificativo de «sistema», apenas um tribunal me suscita verdadeiro respeito. Previsivelmente, levando em conta quem sou e o país onde me encontro, trata-se do mais irrelevante de todos, daquele cujas decisões podem ser e quase sempre foram ignoradas: o de Contas. Pelo menos lutou durante anos, contra tudo e contra todos, para evitar que falíssemos.»

 

Eu: «Há muitas maneiras de evidenciar sexismo. Eis uma delas, neste artigo de Mário Soares sobre Margaret Thatcher. Todos os políticos (homens) que ele conheceu ou admirou são mencionados pelo nome e apelido; apenas a ex-primeira-ministra britânica, agora falecida, é exaustivamente contemplada com a deselegante expressão “senhora Thatcher”. E, na única vez em que a trata pelo nome próprio, Soares engana-se: saiu com gralha. O nosso subconsciente é tramado.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. Ana Sá Lopes, nos seus comentários radiofónicos, também falava da Imperatriz da Europa chamando-lhe (quase) sempre “senhora Mârkâl”. Seria sexismo? Hum…

  2. apenas um tribunal me suscita verdadeiro respeito: o de Contas

    Um tribunal de arrogantes que julgam ser mais espertos que o restante pessoal. Ainda agora causaram a demissão da administração da Transtejo com os seus comentários estúpidos e – lá está – arrogantes sobre um ato de gestão vulgar, como tenha sido comprar umas baterias separadamente de uns navios.

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