
Gui Abreu de Lima: «“é bom beijar homens”, foram umas palavras de Lobo Antunes que tiraram dos fundilhos o que pensara: nesta coisa de as mulheres se beijarem, dos homens e das mulheres se beijarem, de nos cumprimentarmos com beijos, de pais beijarem filhos, os filhos os pais, os tios e os sobrinhos, os avós, os netos, sempre aos beijos… e eles não. Os amigos não, os irmãos também não. Os homens não dão beijos uns aos outros. Pelam-se por beijos, mas não dão. Palermas.»
José António Abreu: «Não sou um grande apreciador de fado. Encontro-lhe amiúde uma faceta de lamúria, de incapacidade para reagir à adversidade, de prazer na desgraça, que me desagrada profundamente. A tendência demonstrada por alguns fadistas para intensificar esse lado miserabilista com vocalizações excessivas e trejeitos melodramáticos só piora as coisas.»

O género masculino português foi treinado para não se beijar entre si, é hábito cultural, talvez um tanto de preconceito a contaminá-lo. E o resto depende de cada um.
Quanto ao fado, reconheço-o como canção nacional, sinto isso em alguns – poucos – fadistas. Mas, no geral, concordo com o texto, é um muito da alma portuguesa levada para a tristeza e a desgraça irremediáveis, mais certo prazer que existe nesses estados de alma. Mas as ditas vocalizações, nos tais alguns fadistas de meu gosto, vibram na alma. É o caso de Amália. Prefiro a melodia, também tão portuguesa, dos Madredeus. Mas reconheço, não se eleva a canção nacional, não tem a história do fado.
Lembro-me de uma personagem fadista do Herman José que se chamava Felisberto Desgraçado. Nome apropriado.