
José Gomes André: «Pela calada, o Euro e a União Europeia sofreram hoje um abalo terrível. O resgate de Chipre levou o Eurogrupo a impôr condições muitíssimo severas, que não só lançaram os cipriotas em desespero como produzirão ondas de choque muito além do Mediterrâneo. Os dirigentes europeus demonstraram, mais uma vez, uma completa indiferença pelas regras do jogo democrático e pelos enquadramentos legais. Qual é a legitimidade da UE para levantar impostos sobre os depósitos bancários individuais? E como podem os responsáveis cipriotas enganar a população desta forma, negociando uma jogada de bastidores que constitui um autêntico assalto às poupanças dos cidadãos? E talvez pior ainda: que mensagem envia a UE aos restantes povos europeus?»
José Navarro de Andrade: «Entre segunda e quarta-feira, 115 anciãos fecharam-se à chave na Capela Sistina para que dentre eles saísse um Papa. Como se sabe, os cardeais não só estiveram incomunicáveis, como iam votando “às cegas”, isto é, sem discutirem os votos, na presunção de que o Espírito Santo os iluminaria e que o sentido do sufrágio iria emergir por si mesmo, da acumulação de escrutínios. Tal método soberanamente “irracional” e secreto não obstou a que cá fora centenas de jornalistas, cada um mais credível e sério do que o outro, se entregassem com entusiasmo a um bizarro exercício especulativo, antevendo o resultado do conclave. O que sabiam eles sobre o que passava debaixo dos frescos de Miguel Ângelo? Nada, ou seja, tanto como nós que estávamos em casa entretidos a ouvi-los.»
Luís Menezes Leitão: «Torna-se cada vez mais evidente que o euro foi um colossal embuste e que a União Europeia é neste momento uma ditadura sem qualquer suporte democrático. Quando os países decidiram aderir julgavam que se estava perante um espaço de segurança e liberdade, em que a propriedade das pessoas fosse respeitada. Se neste momento é possível na Europa confiscar os bens das pessoas e decretar um “corralito” como em qualquer república sul-americana, é manifesto que a União Europeia já não está em condições de resolver os problemas dos cidadãos europeus. E se é assim mais vale que a mesma acabe depressa.»
Eu: «Surge a dúvida nas redacções na hora de escrever o nome escolhido pelo novo Papa: Francisco ou Francisco I? A resposta foi dada pelo próprio chefe da Igreja Católica ao ser anunciado, no balcão principal da basílica de São Pedro, pelo decano do colégio cardinalício: Francisco. Apenas Francisco. Com efeito, o numeral ordinal só se aplica numa sequência que envolva pelo menos dois. Daí o facto de mencionarmos também os reis de Portugal à luz deste critério: D. Dinis, D. Duarte, D. Sebastião ou D. Miguel, que não tiveram continuadores onomásticos, são designados assim mesmo, sem numeral. Que resulta absurdo quando é usado ocasionalmente em alusões a uma “Avenida D. Carlos I” (em Lisboa) ou a uma “ponte D. Luís I” (no Porto). Pelo simples motivo de que Portugal apenas teve um rei com cada um destes nomes.»
