DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Teresa Ribeiro: «Um dia destes levaram-mos. A árvore, as cabanas e o templo do meu pai, arrematados com displicência por tuta e meia. Juntamente com o gira-discos, os candeeiros, as loiças. Como num arrastão desmantelaram a miúda e os cheiros e os sons. Meteram os passos da minha mãe a andar pela casa de um lado para o outro. Da minha mãe, não. Da mãe daquela miúda numas caixas, e o linguajar dos armários, das gavetas, das estantes, todos com sotaques inconfundíveis. Deram-me um papel para assinar enquanto mascavam uma pastilha e desapareceram.»

 

Eu: «Esta fotografia da agência France-Presse é candidata desde já a uma das imagens do ano. Por nos mostrar um extremista islâmico, que sonha com a dura lei alcorânica vigorando no mundo inteiro, ao lado do caixão do presidente da Venezuela, tendo a poucos metros a imagem de Cristo na cruz, símbolo supremo de uma religião que Mahmud Ahmadinejad combate com tenaz proselitismo. (…) Em Caracas, numa cerimónia presidida pelo bispo de San Cristóbal, Mario Moronta, que leu trechos do Evangelho de São João. Segundo relata a imprensa, Ahmadinejad era o líder estrangeiro mais comovido, com as lágrimas a correrem-lhe pela cara. Se há fotos que são notícia, por falarem mais que mil discursos, esta é uma delas. “Havendo sido cego, agora vejo” – como se lê precisamente no Evangelho de João.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. Mahmud Ahmadinejad
    (1) é um extremista islâmico,
    (2) sonha com a lei alcorânica vigorando no mundo inteiro,
    (3) combate com tenaz proselitismo a religião cristã.
    Sem comentários.

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