
Fernando Sousa: «Temos que pagar. Temos que cortar. Temos que compreender. Temos que trabalhar. Temos que ver, ouvir e calar. Temos que deixar. Temos que emagrecer. Temos que ceder. Temos que vergar. Temos que obedecer. Temos que aguentar. Temos que nos resignar. Temos que rezar. Temos que fazer filinhas de gente caladinha, calminha, enfiadinha, disciplinadinha, de nariz no chão. Temos… Temos… Temos…»
Gui Abreu de Lima: «Fica já uma ideia: agarre em toda aquela gente da EMEL e da Polícia Municipal que leva os dias a enfeitar pneus por Lisboa, e dê-lhes a oportunidade de mais dignas funções – zelar pela segurança das pessoas. É que já não se pode tomar um café numa esplanada da cidade ou conversar num banco de jardim, sem que se seja roubado. A carteira da senhora, o telemóvel do cavalheiro, a mochila do garoto, o casaco do chavalo, a máquina fotográfica do camon, a manta do sem-abrigo, tudo vai servindo para atenuar mais um dia de fome e de miséria. Força, senhor Ministro, que eles andam aí e não perdoam.»
