
Ana Margarida Craveiro: «Em tempo de especialistas instantâneos, torna-se ainda mais necessário separar o trigo do joio. Pedro Pita Barros é professor de Economia, e tem dedicado especial atenção ao tema da saúde. Antes dos habituais bitaites, convinha ler o que Pita Barros escreve sobre o famigerado relatório do FMI, por exemplo.»
Gui Abreu de Lima: «Já te imaginaste assim? A sentir o abandono. Pedra a pedra, sem nadinha que escorregue, pise, poise. Encontravas-te comigo num lugar que escolherias. Eu ia, corria, escada abaixo, rua acima, sem certeza desse sítio, que me havias de dizer. Já te imaginaste. Eu ainda por saber o que era ter-te só para mim..»
João Campos: «Fiquei com a sensação de ter visto António Costa no Estádio da Luz durante o jogo entre o Benfica e o Porto. Pergunto-me se foi lá ver a bola ou planear uma ciclovia pelo meio do relvado.»
Patrícia Reis: «Os dias correm. O tempo corre. Isto depois tudo junto dizem são anos. E que, como as crianças, é uma inevitabilidade biológica: passa, cresce e depois mingua. A minha bisavó dizia que eu crescia e ela minguava. Eu tinha quatro, cinco, seis. Não sei. Ela morreu a dormir, foi o que me disseram, não sei se é verdade, porque se mente às crianças sobre a morte, porque todos mentimos, num momento ou outro. Às crianças e aos adultos e à imagem que o espelho nos devolve.»
Teresa Castelo: «Nunca entendi a necessidade de um acordo ortográfico internacional quando ainda nem sequer se fez um acordo nacional que corrija as assimetrias que existem de Norte a Sul como por exemplo, aquela coisa da troca dos bês pelos vês. Faz mais sentido a fêmea do boi ser a baca do que o cidadão do Egito ser o egípcio, pois se a regra é mandar tirar o que não se pronuncia (que neste caso até se pronuncia) não se entende porque é que não se manda escrever o que se pronuncia e não se acaba com a ditadura dos vês imposta há séculos ao povo do Norte em directa contradição com o que falam.»
Eu: «Eis o motivo por que gosto tanto dos filmes de John Huston: são histórias de gente que fracassa, de pessoas desamparadas da sorte, que tudo tentam para afinal nada alcançarem – como os garimpeiros d’O Tesouro da Sierra Madre, os solitários cowboys urbanos d’Os Inadaptados ou o cônsul consumido pelo álcool e por uma paixão impossível na brilhante adaptação homónima para a Sétima Arte daquele que é talvez o mais belo de todos os romances – Debaixo do Vulcão, de Malcolm Lowry.»
