
Ana Cláudia Vicente: «Acordei não muito mais tarde do que o costume. Já só tinha algumas horas com a família, incluindo os recém-chegados sobrinhos gémeos, pelo que dar biberão, pôr a arrotar e mudar fraldas extremamente badalhocas foi coisa preciosa. Quando ficamos a milenas de quilómetros dos mais próximos há que aproveitar. Deve ser a isto de ficar com o coração muito mas muito pequenino, na hora do embarque, que se chama o fado do (e)migrante.»
Ana Margarida Craveiro: «E você, já suscitou hoje alguma inconstitucionalidade?»
Gui Abreu de Lima: Não podia dançar no soalho, minha Mãe não deixava. Punha em duas bilhas de gás e no esteio largo que sustenta o coberto, para jogar sozinha. Era um vício danado aquele elástico.»
José António Abreu: «Custou-me acordar à hora do costume. Perguntei: «O fim-de-semana foi bom?» e respondi: «Eh, já passou. E o seu?» várias vezes. De resto, nenhuma novidade. Falou-se do tempo. Odeio segundas-feiras.»
Eu: «Há dez anos Portugal parecia um país de abusadores sexuais: não havia manchete de jornal ou noticiário televisivo sem a notícia da praxe: agarra que é pedófilo. De então para cá ganhámos juízo: hoje parecemos um país de constitucionalistas: debatemos a lei fundamental com o sapiente fervor de um Miranda, com a respeitável autoridade doutoral de um Canotilho. Antes assim.»
