DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Cláudia Vicente: «Olá, malta-que-gosta-de-ler-blogues, espero que tenham chegado a 2013 sãos e salvos. Proponho, como leitura para esta semana, um clássico lusofónico que pode ser lido há quase uma década, o Ma-Schamba. O José Flávio Pimentel Teixeira, de há algum tempo acompanhado de vários outros hortelões, mantém um weblog habitualmente amanhado a partir de outras coordenadas; mais importante que isso será dizer que o recomendo por, ao fim de todos este anos, ser raro de lá sair sem ter lido algo que me tenha feito proveito.»

 

André Couto: «O Programa Novas Oportunidades conferia qualificações mínimas, a quem não havia tido possibilidade de as adquirir ao longo da vida. Como o Governo extinguiu os Centros de Novas Oportunidades, José Matos Rosa, Secretário Geral do PSD (?!), não vai ter oportunidade de, em doze mil e treulje (0:28), xuxistar (0:40) a soliriadiedade (2:42) do Estado para suprir as suas dificuldades. Procura-se, assim, explicador para aulas de dicção.»

 

Ivone Mendes da Silva: «Ramon Berenguer de Cabanellas y Puigmal já era célebre, quando, por fusão de duas turmas, passou a ser meu colega no 6.° ano dos liceus. É assim que começa Sinais de Fogo de Jorge de Sena, dando entrada a uma personagem que, não obstante ser secundária, ganha um estatuto de centralidade nas duas primeiras páginas do romance, empurrando, aí, para um segundo plano o narrador auto-diegético cujo nome só conheceremos mais tarde na obra.»

 

Luís Menezes Leitão: «Se o Tribunal Constitucional seguir a sua jurisprudência do ano anterior, o Orçamento para 2013 voltará a ser declarado inconstitucional e deixado executar até ao fim. Os órgãos de soberania nacionais limitam-se a passar a bola uns aos outros, não havendo nenhum que se mostre em condições de exercer as competências que constitucionalmente lhe competem.»

 

Eu: «Em 2012 consegui ler ou reler Eça, Camilo, Jorge Amado, Virginia Woolf, William Faulkner, Ford Madox Ford, Dylan Thomas, Graham Greene, Julio Cortázar, Joseph Roth, Nelson Rodrigues, Pérez-Reverte e Erich Maria Remarque, entre alguns outros. Li muito menos do que gostaria, mas muito mais do que eu próprio antevi ao iniciar-se o ano num tempo em que tudo nos afugenta da leitura – do ruído circundante às contínuas invasões do nosso reduto íntimo através desses instrumentos omnipresentes no quotidiano do homem contemporâneo que são os computadores e os telemóveis, cada vez mais sofisticados, cada vez mais intromissivos.»

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