
Luís Menezes Leitão: «O célebre ministro da propaganda de Saddam Hussein garantia estar o Iraque a esmagar as tropas americanas às portas de Bagdad. Ficou conhecido pelo nome de “Ali, o cómico“, embora os iraquianos não lhe devam ter achado graça absolutamente nenhuma. Passos Coelho tem uma atitude semelhante, proclamando que “ainda não podemos declarar vitória sobre a crise, mas estamos hoje muito mais perto de o conseguir“, quando o país cada vez mais se enterra. Merece justamente o cognome de Passos, o cómico. O problema é que isto aos portugueses também não dá nenhuma vontade de rir.»
Eu: «Quem tem fé acredita que não somos fruto de um acaso cósmico, de um acidente de percurso na eterna voragem dos dias e das noites desde que surgiram os primeiros clarões da alvorada à superfície da terra. Acredita que fazemos parte de um desígnio que nos transcende. Somos, não estamos. Vamos, sem nunca parar — numa espécie de viagem iniciática que nos devolve a insondáveis recomeços. Em busca permanente de nós próprios, reflectidos na face dos outros. Daí o significado mais profundo da palavra irmão, tantas vezes mencionada no Novo Testamento. Cristo nasceu pobre, despojado, sem bens materiais, na humilde gruta que lhe serviu de berço. Quem acredita, encontra aqui o mais exemplar dos símbolos: todos os filhos de Deus nascem iguais. É impossível uma fé autêntica sem esta nítida consciência ontológica da igualdade perante o olhar divino.»
