
Laura Ramos: «Paulo Varela Gomes dá neste momento a sua Última Lição. ‘Do sublime em arquitectura’. Olho este anfiteatro e, mais do que nele, penso sobretudo nos outros, os muitos que aqui se apinham e são os que verdadeiramente ficarão privados de qualquer coisa de vulto, porque não vão poder mais contar com a pedagogia do mestre: impaciente, perfeccionista, rebelde, exagerado, incessantemente à procura da verdade e concluindo, desafrontadamente, pela incerteza dos cânones e pelos antagonismos da realidade.»
Luís Menezes Leitão: «Este cerco do Governo aos restantes órgãos de soberania põe em causa a sobrevivência do país como Estado de Direito. Hoje não há quaisquer garantias de que a Constituição seja respeitada e os direitos fundamentais das pessoas podem a todo o momento ser postos em causa, seja pela via de cortes nos salários e pensões, seja por tributações expropriatórias. Resta-nos esperar, como o moleiro de Sans-Souci, que ainda haja juízes comuns em Berlim…»
Eu: «No crematório, tudo se conclui com eficiência mecânica: minutos volvidos, eis-nos devolvidos ao frenesim rotineiro da cidade. Encaminho-me a pé para o Parque das Nações pensando numa frase de Marguerite Duras: “Muito cedo na vida é demasiado tarde.” Uma frase que fica a ecoar dentro de mim como um doloroso dobre de sinos neste agreste e melancólico Natal.»
