
Ana Vidal: «A moda da stand-up comedy tomou conta deste país, decididamente. De repente, tornámo-nos um povo de cómicos, debitando piadas em qualquer palco, com qualquer público que se preste a ouvir-nos. Já não bastava as estrelas da canção que todos os pais portugueses julgam ter em casa, e que promovem com a convicção inabalável de chegar a ver lançadas no estrelato internacional as suas pequenas Madonnas, agora descobrimos a nossa veia de comediantes. Sobram-nos os motivos e os temas, é certo, sobretudo no que toca ao humor negro.»
Laura Ramos: «Francisco José Viegas pediu a demissão do cargo de Secretário de Estado da Cultura, cujas funções deixará de exercer no final deste mês. Isto, sim, é um empobrecimento sem retorno. Trabalhou diligentemente e sem queixumes com um orçamento franciscano.»
Teresa Ribeiro: «Depois de levar consistentemente um país quase à bancarrota de quanto tempo precisa um homem para arriscar a pôr o pescocinho de fora e dar umas opiniões sobre a liderança de uma nação? A resposta é: depende. Há países em que o período de nojo passa a correr.»
Eu: «Otelo Saraiva de Carvalho admitiu em Março fazer “um novo 25 de Abril”. Agora, em Outubro, avisa que vem aí “uma nova revolução”. Depois de ter dito que “não fazia o 25 de Abril se soubesse como o País ia ficar” e que “precisávamos de um homem com a inteligência do Salazar”, devemos considerar-nos satisfeitos por ainda não lhe ter passado pela cabeça anunciar a intenção de fazer um novo 28 de Maio.»
