DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Eu: «Não há nada tão nobre na imprensa como o colunista. Mas, até por isso, ser colunista não está ao alcance de qualquer um. É preciso, naturalmente, escrever bem. Mas não basta: há também que ter ideias e tentar que sejam originais, no todo ou em parte. E há que conseguir condensá-las num número muito restrito de caracteres de imprensa e numa só coluna (daí a palavra colunista). Mas também isto é insuficiente: é preciso saber estabelecer uma certa cumplicidade com os leitores – no estilo, no tom, na forma como se alterna a fala com o sussurro, procurando seduzir pela palavra, persuadir pela estética, convencer pelo argumento adequado no momento exacto, que é sempre irrepetível. E há ainda que saber contar uma história – que, no fundo, é sempre a mesma: a história de uma vida, a biografia daquele que a relata, desvendando-se linha a linha detrás do biombo de frases em que diariamente se refugia. Porque não há imprensa sem histórias. Não há imprensa sem pessoas dentro das linhas impressas. E não há imprensa sem um longo novelo de cumplicidades entre quem escreve e quem lê.»

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