DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Isto está mau. Acabei de ouvir Marcelo Rebelo de Sousa (sim, até ele) dizer numa entrevista na SICN “…é preciso ir de encontro às necessidades da sociedade”, ou qualquer coisa com o mesmo sentido. Não há dúvida, andamos cada vez mais aos encontrões. À língua portuguesa, pelo menos.»

 

José Navarro de Andrade: «Parece que o Grupo Parlamentar do Partido Socialista renovou a frota automóvel adquirindo um Audi 5 e três VW Passat. Tratando-se de meros deputados e não de ministros, teria sido política mais sensata e não ficariam menos bem servidos se optassem por uns Golfs, ou Civic ou qualquer outro digníssimo carro dessa gama. Seriam irrelevantes os patacos que poupariam, mas relevante o sinal que davam à nação.»

 

Leonor Barros: «Há dias em que me apetece partir para a ignorância e dizer que somos um país de parolos que precisa de carros e mordomias para mascarar o que não têm nem são. E um país de energúmenos incapazes de respeitar o seu semelhante em qualquer situação. Enquanto o povo conta os cêntimos há quem vá trocando de carro com o dinheiro do povo. Enquanto não chegar o dia, tomem lá, governantes, aspirantes a governantes, derivados e sucedâneos.»

 

Luís Menezes Leitão: «Colocar no último escalão do IRS pessoas com rendimentos acima de 80.000 euros significa falsear completamente a progressividade do imposto sobre o rendimento. Decidido a fazer um saque fiscal a todos os cidadãos, o Governo nem sequer hesita em qualificar como ricos pessoas de rendimentos médios. Sinceramente, acho que já é tempo de este Governo se ir embora. Para equilibrar o défice, subindo continuamente os impostos, um simples contabilista chegaria. De um verdadeiro governo, exigir-se-ia muito mais.»

 

Rui Rocha: «Perante isto, devemos recusar qualquer hipótese que aponte para um nexo de causalidade entre um facto e outro ou que exista, sequer,  uma coincidência significativa na acepção utilizada por Jung. Na verdade, sendo nós pessoas racionais como efectivamente somos, sabemos que estas coisas se regem apenas e só pelas leis da sorte e do azar.»

 

Eu: «Há quem sonhe com vitórias caídas do céu. Quem pensa assim está antecipadamente condenado ao fracasso. Escutem com atenção os 23 minutos iniciais do frente-a-frente que opôs Freitas do Amaral a Mário Soares na primeira volta das presidenciais de 1986. Qualquer deles precisava de derrotar o outro neste debate antes de o conseguir nas urnas, por intervenção dos eleitores. Soares, com o seu conhecido instinto político, acertou na estratégia: atirou-se – metaforicamente falando – à jugular do opositor logo na sua primeira intervenção. Oitenta segundos depois, Freitas já estava encostado às cordas.»

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