DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «A desesperança é o que mais dói nestes tempos. Sem escolhas, sem ver quando as coisas melhorarão. Tenho metade da família desempregada, e dói-me ver que os braços começam a não se querer levantar.»

 

Cristina Torrão: «A maior parte do povo islamita não sabe o que é a liberdade de expressão, por isso, não a entende. Os grandes culpados por esta situação são os líderes religiosos islâmicos (que tinham obrigação de estar melhor informados e acalmar a população) e os ditadores, a quem interessa manter o povo ignorante. Também isso já aconteceu connosco. Resta-nos dar uma prova de maturidade e ter paciência com estes excessos. Claro que quando a nossa própria segurança é posta em causa, não nos podemos limitar a olhar.»

 

José António Abreu: «Exaspera-me com frequência, enternece-me de vez em quando, há períodos em que se ausenta, outros em que me domina e consegue ser insidioso ao ponto de, em mais ocasiões do que eu gostaria de admitir, chegar a parecer-me a melhor parte de mim. No fundo, tudo expectável mas, ainda assim, perturbador. Não entendo, muito menos controlo, o meu lado feminino.»

 

José Navarro de Andrade: «A Constituição tem-se mostrado sensata, equilibrada e funcional, mas já não consegue conter a entropia de um regime em que as instituições se fecham sobre si mesmas e vão sobrevivendo graças à inércia política que elas próprias promovem. E como as alternativas a isto parecem sempre piores do que está, a coisa correu enquanto houve dinheiro, só que agora a putrefacção está à vista e deita cheiro.»

 

Luís Menezes Leitão: Finalmente começou a chover. As rezas no Ministério da Agricultura deram resultado efectivo. Só falta agora usar o mesmo método para obter o cumprimento do défice, a diminuição do desemprego, o aumento da produtividade, a complacência da troika, e a paciência dos portugueses. Que infelizmente é cada vez menor para tanto disparate.»

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