
Ivone Mendes da Silva: «Ainda hoje não sei se quem lhes trouxe à memória o dito Carlos foi algum transeunte que semelhava as feições de um conhecido comum ou se era o brônzeo deus dos mares quem lhes evocava, sabe-se lá como e porquê, um Carlos de cuja pujante nudez pareciam partilhar o conhecimento. Assim uma espécie de sisters in arms.»
José Navarro de Andrade: «No dia 29 de Junho a Assembleia da República (AR) votou por unanimidade a transmissão do Canal Parlamento na TDT. Disto pode-se retirar uma importante conclusão: a AR, na abstracção jurídica representante da nação, na prática representa tão somente os interesses corporativos dos seus ocupantes – precisamente “os políticos”.»
Linda David: «O único belga muito, muito fixe que conheço chama-se Tintin e não me parece que se oponha a um bom piropo. Um rotundo piropo daqueles que vêm de muito lá do fundo, de um balde de pedreiro ou de um de fato Giorgio Armani: não há nenhuma mulher no mundo que não os aprecie. Roliços, reimosos, picantes, melosos ou a transbordar de malícia e sexo rápido no vão da escada.»
Teresa Ribeiro: «Há quem insista em confundir arte urbana com pichagens, como o Pedro comentou há dias. Arte urbana é, por exemplo, o que faz JR, um artista com forte espírito cívico que também por isso tem feito, a par das suas exposições, muitas intervenções sobre a liberdade de expressão artística e os seus limites.»
Eu: «A infância desaparece-nos definitivamente quando vemos partir os nossos primeiros e mais remotos heróis. Eu cresci num mundo onde alguns me garantiam já não haver heróis. Nada mais disparatado: nunca duvidei que havia heróis e Neil Armstrong – o primeiro homem a pisar a Lua, naquele inesquecível mês de Julho de 1969 – sempre foi um deles. Num certo sentido, foi o herói – assim mesmo, com artigo definido. Não havia nenhum que se lhe equiparasse. Nem haverá. O que restava da minha infância eclipsou-se ontem, com a inesperada morte do astronauta norte-americano que liderou a missão da Apolo XI. Sinto-me de luto. Era de noite quando me chegou a notícia: procurei a Lua no céu e não a encontrei. Como se ela estivesse de luto também.»
