
José António Abreu: ««Sempre pela passadeira, sempre pela passadeira, ouviste?», dizia o homem de sessenta e tal anos para o miúdo de seis ou sete que agarrava pela mão ao subirem para o passeio após atravessarem a rua do Campo Alegre, no Porto, com o semáforo vermelho.»
Luís Menezes Leitão: «Fico cada vez mais perplexo com os apelos de Cavaco Silva. Agora vem apelar ao BCE para começar desde já a comprar títulos da dívida portuguesa e irlandesa. Até pode ser que o apelo seja muito justificado, mas Cavaco Silva é o Chefe de Estado de Portugal e não pode colocar-se numa posição de inferioridade, a fazer pedidos públicos a um funcionário não eleito, como Mário Draghi. Pela minha parte, estava à espera de tudo, menos de ver o Presidente de Portugal a apelar à compra de títulos da dívida portuguesa. E ainda mais perplexo fico quando inclui no mesmo pacote a Irlanda, excluindo no entanto a Grécia.»
Rui Rocha: «Que Sanchez Gordillo pague então pelo seu delito e que se desmonte publicamente a sua intenção. Mas que não se esqueça que a ferida está aí. Em Espanha como em Portugal. E que se tenha em conta que quanto mais pagarem os Gordillos, mais legítimo será perguntar quanto pagaram os outros. Os que não assaltam mercearias à luz do dia, nem praticam demagogia com a distribuição de alimentos. O problema essencial é pois esse de saber quanto pagaram até agora os políticos desbragados, os ideólogos da promessa fácil feita para não ser cumprida, os compinchas venais e os protegidos do regime por toda a sua desmedida cupidez. O problema não é pois declarar a ilegitimidade dos actos de Gordillo. O problema é constatar que a legitimidade dessa declaração depende mais da autoridade formal do Estado do que da sua autoridade moral.»
