
José António Abreu: «Em tempos não muito distantes, à rapariga aplicar-se-iam expressões como “abundante de carnes” ou “cheiinha”, usadas num tom onde se detectaria mais apreço do que crítica. Noutros, mais recuados, seria pulposa e levaria pintores a proporem-se pintá-la nua, com o argumento de ser perfeita para representar Vénus saindo do mar ou recostada num canapé. Tem pele branca que, ao ser atingida pelo sol, irradia luz como a face de Greta Garbo nos velhos filmes a preto e branco.»
José Gomes André: «A existência de uma vigilância popular e o direito à crítica pública não podem ser louvados em oposição à existência de um Governo legítimo, uma vez que este emana do único instrumento até agora inventado para auscultar a vontade do povo soberano em democracia: um escrutínio global, secreto e livre.»
Laura Ramos: «Sons e silêncios, num pacto sublime, encheram a nave do Panteão Nacional de Santa Cruz, agarrando as alturas da belíssima abóbada manuelina e descendo sobre a gente que enchia o templo de acústica excelente, sentada pelos bancos e pelo chão carcomido de pedras quase milenares, diariamente pisadas por Camões ou Fernando de Bulhões, frequentadores do seu activo scriptorium. Na capela-mor, cantava o coro do Oriel College, um dos 39 que compõem a colegiada inglesa mais conhecida do mundo, a Universidade de Oxford.»
Luís Menezes Leitão: «Comparada com estes ataques de D. Januário, a oposição de António José Seguro parece a de um menino do coro. O bispo está em clara posição de xeque ao governo. Ou o governo se cuida ou arrisca-se a cair em xeque-mate.»
Rui Rocha: «É lamentável que o espaço de oposição ao governo esteja a ser ocupado por D. Januário Torgal Ferreira e por Mário Soares. E isto é assim pelas pessoas em si, pelo que representam e pelo tipo de discurso que protagonizam. A democracia deve ser o espaço da solução e da sua alternativa. Ora, o bispo das Forças Armadas e o ex-presidente não são solução para o que quer que seja. E muito menos estão em condições de apresentar qualquer alternativa.»
Eu: «Nelson Mandela – Os caminhos da liberdade: excelente reportagem de uma equipa da RTP encabeçada pelo jornalista António Mateus. No dia em que Nelson Mandela – um dos maiores ícones universais do nosso tempo – festeja 94 anos vale a pena recordar a evolução da África do Sul desde os dias de chumbo do regime racista de P. W. Botha até à actualidade.»
