
Leonor Barros: «Salvador é mais do que uma data. Salvador é um sentimento que não se deixa pôr por palavras. É ir ao Bonfim e conversar com a Carol e o Jairson sobre patuás e orixás, Erê, o meu, e ninguém tocou ainda, Carol, e fitas coloridas, trazer a pagela do Santo Expedito que todos os dias me olha aqui mesmo ao lado. É ver a cidade lá em baixo. É subir e descer as ladeiras do Pelô, regatear com o Caetano o preço dos colares de sementes, descer o elevador Lacerda com a Baía de Todos os Santos em frente, azul e imensa, e vislumbrar do outro lado Itaparica, berço de João Ubaldo Ribeiro.»
Paulo Gorjão: «Os amigos comuns têm de escolher entre um e outro. Pior. Têm de lhe dar razão e ver no ex-amante que ele outrora amou com paixão o canalha que agora identifica com toda a clareza. Ele, aliás, tem a certeza disso. Como antes teve a certeza que Sócrates era o amor da sua vida. Bem vistas as coisas, tal como aconteceu com o arrufo com Santana Lopes, pode ser que Sócrates e Gonçalves acabem por fazer as pazes. Era bonito. Eu, que sou um romântico, confesso que já estou aqui com uma lágrima no canto do olho. Adoro finais felizes.»
