DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Lima: «Enquanto Van Rompuy se exprime verbalmente, o presidente da Comissão Europeia acompanha-o, utilizando este outro sistema de comunicação; ou, por analogia com a publicidade a uma marca de iogurtes destinados ao público infantil, e num assomo de optimismo, embora desmentido pela sua expressão, mostra que “falta um bocadinho assim” para que se chegue a um acordo exequível.»

 

Ana Cláudia Vicente: «O jovem Mats aparenta estar um bocado em baixo (e com frio?), o que se compreende: quando a nossa selecção tem uma grande final à vista e lá não consegue chegar, a coisa maneiras-que-mói.»

 

Leonor Barros: «De acordo com o novo calendário escolar ou proposta dele, as crianças do 4º ano poderão vir a ter aulas até 5 de Julho. Esta extensão de calendário será apenas para as crianças com dificuldades, pobres delas, duas vezes castigadas, uma porque têm dificuldades, seja lá o que isso for num quarto ano de escolaridade, mas depois de ter ouvido que uma criança ia mal preparada do infantário para o primeiro ano do Básico vale tudo, a segunda porque não terão descanso nem tempo para ser o que são: crianças. Algo me diz que é escola a mais e infância a menos.»

 

Luís Menezes Leitão: «Marcelo Rebelo de Sousa tirou completamente o tapete a Passos Coelho, assumindo-se mesmo como uma alternativa do PSD para Primeiro-Ministro. Quando se pensa que no ano passado foi Marcelo quem anunciou o corte dos subsidios, percebe-se que o Comentador-Candidato a Presidente, e agora, se calhar, igualmente a Primeiro-Ministro, decidiu descolar de vez do actual Governo. Passos Coelho que se cuide.»

 

Eu: «O que dantes era emendado como erro básico de ortografia, próprio de gente burra, agora é mantido solenemente em artigos de jornal por vir com a chancela quase oficial da agência Lusa, primeiro órgão de informação a substituir o português pelo acordês. Os resultados estão à vista: a palavra contacto, que nem o “pacto de submissão” aos interesses das editoras brasileiras previa, é amputada duas vezes no mesmo texto de origem (e felizmente emendada no título do jornal). Na dúvida, opta-se pela burrice à boleia do tal acordo destinado a suprimir consoantes. Começa-se pelas chamadas “consoantes mudas” e logo se transita para a caça às sonoras, que assim deixam de o ser. Até cada um passar a escrever como lhe der na real gana. Sem norma, com imensas “facultatividades”, sem a noção básica da etimologia. Como António Guerreiro sublinha aqui, a propósito de panóptico, palavra que «nunca teve outra pronúncia que não fosse a da ‘norma culta’» e que apesar disso passou alarvemente a escrever-se panótico por imposição dos “corretores ortográficos” em acordês.»

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