DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Cláudia Köver: «Acordar é como adormecer. É despertar para uma realidade inversa. É nadar no fundo do mar e por breves instantes não saber se estamos prestes a romper o espelho de água ou a descer ao fundo do mar.»

 

Helena Sacadura Cabral: «A ALUMNI, Associação dos Antigos Alunos de Económicas, comemorou ontem o centésimo primeiro ano da criação do ensino desta disciplina, tendo resolvido inaugurar um “quadro de honra” dos seus alunos mais brilhantes. Fui uma excelente estudante e, por isso, tive a distinção de ser convidada para participar da cerimónia. Aceitei e em boa hora o fiz.»

 

José António Abreu: «Os governos não perceberam que o sistema, cada vez menos assente nos rendimentos ligados à produção de bens e serviços com capacidade para fazer entrar o dinheiro que as vantagens da globalização – produtos baratos, facilidade de circulação de capitais – fazia sair, estava rapidamente a tornar-se insustentável e continuaram, através de impostos, taxas e quejandos, a desviar recursos da parte da economia verdadeiramente produtiva para a menos produtiva.»

 

Patrícia Reis: «Se não disser nada ninguém dirá nada. Posso ouvir o Caetano Veloso a cantar: alguma coisa acontece no meu coração… posso disfarçar e até esconder-me num ritual de consolo, pedir colo a quem mo dá, invisível, transparente, um pai fantasma que me leva nos dias. Se eu não disser nada ninguém dirá nada. E o recato, esse silêncio pelo qual anseio, é o melhor. O que me apavora é o amanhã de manhã. É ter sobrevivido a isto. Mas faço a vida de actriz. Porque não? Sou o avesso de tudo o que mostro hoje mas nada direi.»

 

Rui Rocha: «Estes factos permitem abrir duas linhas de reflexão. A primeira, de carácter geral, aponta para a existência de uma relação pouco saudável entre jornalistas e políticos. Demasiados telefonemas, cumplicidades, tricas, deslealdades, panelinha e conversas de botequim ali onde se impunha sobriedade, respeito e formalismo.»

 

Teresa Ribeiro: «Era uma pessimista inveterada, mas quando os problemas começaram a despontar à sua volta numa progressão geométrica, converteu-se ao optimismo por instinto. Somar às dificuldades a convicção de que não se iriam resolver tornou-se uma carga demasiado pesada, até para alguém habituado a esperar sempre o pior. Foi então que ela percebeu que só é pessimista quem pode.»

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