DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Com a crise generalizada, o desemprego, a insegurança, a gripe A e outros mimos com que todos os dias são presenteados os humanos, bom mesmo é ser-se vaca. Sobretudo se se tiver a sorte de nascer nesta exploração de Portalegre, onde o extremoso proprietário não poupa esforços para oferecer às suas “meninas” todo o conforto e felicidade que possa proporcionar-lhes: cama, mesa e roupa lavada, e agora também ar condicionado e música ambiente, para combater o stress. Tudo isto em troca de uns litros de leite diários? Peanuts! Mesmo assim, há logo vizinhos que vêm pôr defeitos na escolha musical: Beethoven não é suficientemente relaxante, talvez Haydn ou Mozart.»

 

João Carvalho: «Quando ouço Sócrates falar em recessão técnica, o modo como isso me soa tem uma conotação familiar que me fere os ouvidos: traz-me à memória aquilo do inglês técnico, lembram-se? Ora, o resultado da aprovação no rigoroso exame a inglês técnico numa prestigiada universidade a gente já conhece: está mais ou menos ao nível do portinhol técnico que ele fala fluentemente com Zapatero.»

 

Jorge Assunção: «O Público, na edição de hoje, dedica duas páginas ao tema das nacionalizações, que voltou à agenda devido ao caso do BPN, mas também porque PCP e BE estabeleceram a nacionalização de alguns sectores como proposta nos seus programas. A propósito do tema, Louçã refere que os lucros da EDP e da Galp seriam “suficientes para equilibrar as contas públicas num país com um défice orçamental crónico”. Curioso, como é que Louçã nacionalizaria as duas empresas para que os lucros desta revertessem a favor do Estado? Não teria isso impacto negativo no défice orçamental?»

 

Leonor Barros: «O MMS lançou hoje o seu primeiro cartaz para as legislativas próximas em que sugere enviar os líderes partidários para a Conchinchina. Resta saber quem sugerem que se vá embora a seguir. A continuar assim ainda ficamos despovoados. Bem podem juntar-se a um outro partido que queria os imigrantes daqui para fora. É sempre mais fácil arranjar bodes expiatórios. Resta saber o que pretendem fazer depois de expulsar os líderes. O eleitorado agradecia.»

 

Eu: «Na quinta-feira, com uma chocante indiferença ao drama social do desemprego galopante, um Sócrates eufórico anunciava “o princípio do fim da crise”, logo secundado pelo habituais propagandistas de serviço, sempre em uníssono com o chefe. Hoje, afinal, o primeiro-ministro deu o dito por não dito: “Não é o fim da crise. Não. Estamos longe disso.” Percebeu-se que neste intervalo de quatro dias teve oportunidade de assimilar o sábio conselho do presidente do Bundesbank: “É demasiado cedo para decretar o fim da crise.”»

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