DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «As nossas crianças são propriedade dos pais, que têm primazia nas suas escolhas, nos valores que lhes querem legar, nas atitudes que pretendem formar. A escola deveria ser um local de ensino, nada mais. A educação dá-se em casa.»

 

Cristina Ferreira de Almeida: «O que terá levado a rapariga gaga a pôr uma bomba que matou uma pessoa no posto dos correios? A angústia atormenta o  pai, cidadão sem mácula, filho de imigrantes, fruto perfeito do american dream. Angustia-me a mim, a tentar ler a Pastoral Americana numa praia deserta, se não contar com aquela família tão barulhenta.»

0 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. Há dez anos? Afinal não evoluímos assim tanto, ainda há gente a julgar que a escola não serve para educar e só para informar; mas a função da escola é mesmo educar (informar e formar). A vertente formativa tem maior incidência nos pais ou em quem os substitua, pertence-lhes naturalmente, têm mais contactos com a criança ou jovem e deram-lhes as primeiras ferramentas de adaptação ao mundo social, criam com eles laços que propiciam a modelagem; a vertente formativa acontece na escola e em todas as instituições que a criança frequente, pessoas com quem contacta, e a quase tudo que a rodeia. E é claro que cada um destes meios tem a sua quota de responsabilidade na educação dos jovens de acordo com o tempo que eles nelas permanecem. A escola será, a seguir à família próxima, o meio privilegiado em que permanecem mais tempo. Recusar-lhe a quota de responsabilidade, não faz sentido. Como não faz sentido elidir a quota familiar responsabilizando apenas a escola pela falta de formação ou deformação dos jovens. A educação é um processo conjunto, uma interpenetração de factores sem função supletiva. A escola é a sede da informação e a família a da formação, mas uma e outra educam e jogam dados no terreno da outra. O trabalho conjunto beneficia ambas.

    1. Bem me parecia que você é contra a propriedade privada.
      Em regimes totalitários, como a Alemanha hitleriana, a Rússia estalinista ou a Coreia do Norte actual, as crianças foram/são propriedade do estado.

          1. Também é verdade. Ultimamente este Pedro Correia está verdadeiramente intratável. Que raio se passará com ele?
            Pode ser que se alcançar o segundo lugar se torne mais prazenteiro e sociável. Pode ser, vamos ver.

      1. Pedro, sou proprietário do meu carro, da minha casa. É- se proprietário de coisas, não de pessoas. Sou responsável pela educação, bem estar e nutrição dos meus filhos, não sou proprietário da vida deles….e não compreender isto, que julgo ser básico, é ser-se um idiota chapado.

        Pedro, agradecia, que de vez em quando me chamasse estúpido, ignorante, idiota…coisas do género. Tinha mais piada.

        1. Nunca cessarei de me espantar com o tempo que hoje se gasta e as energias que hoje se dissipam em torno do suposto significado literal de expressões utilizadas como óbvias metáforas ou metonímias.

        2. Olhe, Pedro: se é proprietário do seu carro e da sua casa, sinta-se um afortunado.
          Já eu nunca fui proprietário de nada. Pensava que era, mas vã veleidade. Proprietário, aliás, proprietária de tudo era a minha mulher. 🙂
          Proprietário é quem põe e dispõe a seu bel-prazer daquilo que é seu, não é? Pois, bem me parecia não estar enganado. Então era ela.
          Mas nem por isso me senti um desafortunado, e muito pelo contrário.
          Portanto somos dois afortunados. O Pedro pelo que tem e eu pelo que julgava ter.

          1. Ora aí está. Nada pode ser dado como certo e de verdadeiramente nosso só a certeza de impostos a pagar.

    2. Quem é que mais fez para que a triagem do lixo para a reciclagem se generalizasse? Os professores, que conseguiram fazer com que as criancinhas pusessem os papás e as mamãs a tratar do lixo com mais cuidado. A escola serve não só para educar as crianças, mas também os pais.

      Os adultos têm a tendência a perder demasiado tempo com o ‘folclore dos valores’ abstractos quando podiam aprender muito mais com os filhos (e com a escola). Um pouco de modéstia não seria inútil, e certamente os ajudaria a melhorarem a sua própria educação.

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