
Ana Vidal: «Ao contrário do que talvez fosse de esperar, esta série começa com um restaurante tradicional, despretensioso e de preço acessível. O que faz dele, há décadas, um marco da gastronomia portuguesa não é a sofisticação do décor nem o entusiasmo por experimentalismos culinários, mas só o que é essencial num restaurante onde se queira voltar sem medo de decepções: a qualidade irrepreensível da cozinha, convencional e inalterável, e o atendimento simpático. Falo do restaurante Mariana, na praia de Afife, perto da belíssima cidade de Viana do Castelo.»
Gonçalo Correia: «Não houve derrapagens. Não há desemprego. Não entrámos em pré-bancarrota. Não existe a lua. Não entrámos em recessão económica. Não temos sido mal governados. Não pedimos dinheirito à “troika”. Não existe corrupção. Não temos maus gestores públicos. Não existiram dinossauros. Não existe miséria/pobreza. Não temos péssimos deputados. Não existe incompetência. Não foram oferecidas caixas de robalos. Não temos o BPN. Não existem contas em offshore. Não pagamos impostos. Não temos portagens nas “scut’s”. Não há andorinhas na Primavera.»
José Maria Gui Pimentel: «Depois do amplo sucesso do livro Freakonomics, surgiu um blogue, no qual outros economistas se juntam a Steven D. Levitt (e ao co-autor do livro, Stephen J. Dubner). Vale a pena ver, sobretudo para se perceber como pensa um economista, algo especialmente importante numa altura em que esse ofício anda tanto por baixo.»
Leonor Barros: «Dizem-me que a cidade me falta e que bastarão uns fumos poluentes logo ali na Calçada de Carriche para que se me libertem os humores e os meus dias se encham de sol. A cidade falta-me, é verdade. Falta-me muitas vezes. Faltam-me os lugares-comuns da luz de Lisboa e falta-me o bulício de cidade, pessoas que se cruzam de um lado para o outro, correrias e idiossincrasias várias. Não que me sinta citadina ou urbana mas as grandes urbes são como ímans onde sonho sempre regressar.»
Rui Rocha: «Num cenário de catástrofe iminente, em que o seu povo enfrenta grandes dificuldades, o que faz o Rei de Espanha? É muito simples. Consternado com o sofrimento dos seus súbditos, entendeu que a melhor forma de estar junto deles seria fazer uma caçada no Botswana. Independente como é, decidiu exercer a sua autoridade dando uns tiros nuns elefantes. Referir que uma caçada de elefantes no Botswana tem o custo mínimo de 30.000 euros, a que acrescem certamente muitas outras despesas que fazem disparar o “investimento” para umas dezenas largas de milhares euros, é só sublinhar uma parte da anedota.»
