
Ana Vidal: «À laia de rebuçado para nós, portugueses, uma surpresa boa: numa das cenas centrais do filme [Duuplo Amor], a voz de Amália invade a sala, cantando Estranha forma de vida. E sabe bem ouvi-la assim inesperadamente (integrada numa banda sonora de luxo, quase toda composta por árias de óperas clássicas), como escolha de uma sensibilidade apurada e saída do mainstream de Hollywood.»
João Carvalho: «Estão aí a chegar dois sírios vindos do campo de Guantánamo. Dizem as notícias que “chegam a Portugal com um visto especial” e que “vão viver em local seguro e vigiados permanentemente”. Reparem que os dois homens vão viver por cá como nenhum português vive. Assim vale a pena. A partir de agora, já sabem: se quiserem viver em local seguro e sempre vigiados por seguranças gratuitos, mudem-se para o sítio em que ficarem instalados os sírios. Está cada vez mais difícil encontrar um lugar seguro e bem vigiado.»
Eu: «Raul Solnado era uma das raras personalidades unânimes em Portugal. Por mérito próprio, figurava entre os genuínos artistas populares que também eram apreciados pelas chamadas elites. Estava, nesse aspecto, ao nível de Amália Rodrigues – de algum modo sobreviveu à sua própria celebridade, já tornada intemporal ainda em vida, facto ainda mais raro entre nós. Depois dele, sobram poucos no nosso mundo do espectáculo: um Rui de Carvalho, um Carlos do Carmo, uma Simone de Oliveira, um Nicolau Breyner.»
