
Ana Lima: «Contrastando com o vento que soprava sem encontrar obstáculos pelas avenidas, a Lisboa de hoje era feita de um lento vagar. Eu deixei-me ir. E se sua cúmplice me senti foi porque amanhã, quando voltar, ambas saberemos que ela também pode ser assim, capaz de nos acolher, mesmo quando ela própria descansa.»
Ana Vidal: «Encontrei o belo milhafre menos grave e sério, espreguiçando as penas sob um glorioso sol de Inverno. Habituado a tiritar num cinzento de chumbo, esse chumbo que lhe feriu um dia a asa, deixou-se por uma vez de lutos e mistérios e recebeu-me alegre como nunca. Por uma vez lhe vi sorridente o rosto de cantaria, franco e aberto o jeito fechado, resplandecente o timbre pardacento. Por uma vez o luto lhe foi aliviado por uma rara benção dos deuses. E vim pensando, no regresso a casa, que, de tão luminoso, o milhafre quase me parecia a minha gaivota moura.»
Helena Sacadura Cabral: «Este fim de semana foi para mim especial, porque tive os dois filhos comigo. Não ao mesmo tempo, que isso são acontecimentos já quase pré-históricos, mas cada um à sua vez. O mais velho tinha vindo de Bruxelas à manifestação e o outro, suponho, esperava o fim da mesma. Apesar destas antagónicas situações, os irmãos, que se adoram, ainda encontraram tempo para estar os dois juntos a almoçar…»
João Carvalho: «Eis mais um vibrante Carnaval famoso, mas ignorado por cá, neste país do Entrudo violado pelo samba tiritado ao ritmo da chuva e onde não faltam estádios prontinhos para virar sambódromos. O certo é que ninguém lhes descobre outra serventia, mas não há quem se preocupe: preocupante é a intolerância de ponto….»
Leonor Barros: «Mortas e enterradas as provas de recuperação surgiu mais uma maravilha: os planos individuais de trabalho. Servem para o mesmo que as provas de recuperação, as consequências em última análise e em muito última, podem levar a uma situação menos doce mas enquanto isso os professores vão-se arrastando numa teia infindável de papelada, reuniões com os pais, cartas e mais cartas e os alunos felizes da vida contando com a almofada que a lei permite. Não é de admirar que cheguem ao mundo do trabalho com manha.»
Teresa Ribeiro: «Onde é que Arménio Carlos quer chegar com estas declarações? Que é melhor os portugueses começarem a ir para a rua incendiar umas coisas? Quando é que estes senhores aprendem a pôr o interesse do país à frente das suas lutazinhas politicas e a ser responsáveis? Quando é que deixam de ser pequeninos?»

tive os dois filhos comigo
E um deles já só teria mais dois meses de vida.