
José António Abreu: «Charles Dickens nasceu há exactamente duzentos anos. Eu devia ter escrito algo sobre o assunto mas faltaram-me tempo e inspiração. Em homenagem ao criador de personagens como Oliver Twist, deixo uma foto mal ‘scannerizada’ tirada há treze ou catorze anos (exceptuando o carro lá atrás, não haverá assim muitas diferenças para o tempo dele, pois não?).»
Luís M. Jorge: «Em Novembro, assim que Papandreou manifestou o seu desejo de referendar o programa de austeridade imposto à Grécia, ergueu-se o carmo e a trindade entre Bona e Portugal. Que era irresponsável, diziam, permitir ao povo discutir — e aprovar ou não — os sacrifícios necessários para permanecer no euro. Três meses depois os gregos fazem manguito ao tal programa que não discutiram nem aprovaram. Vai ser pior para eles — afirma, com o altruísmo do costume, quem sabe que vai ser também pior para nós. Ah, o referendo: até parecia uma boa ideia. Onde ela já vai.»
Luís Menezes Leitão: «Parece que agora Passos Coelho pede aos portugueses para não serem piegas. Eu até posso compreender a necessidade de impor sacrifícios e medidas de austeridade, mas já me custa a aceitar a insensibilidade que este tipo de discurso demonstra. Nada disto está de acordo com a tradição humanista do PSD e corre o risco de gerar situações de indignação nas pessoas, com consequências imprevisíveis.»
Rui Rocha: «Os portugueses enquanto entidade abstracta, não têm sentimentos. Esses são exclusivo de pessoas reais e da sua circunstância. Sob a designação portugueses encontraremos então realidades tão díspares como a de Ricardo Salgado ou a da Maria de Lurdes que ontem perdeu o emprego. Estão reunidos debaixo dessa etiqueta 700.000 desempregados e 700.000 funcionários públicos que viram os seus salários reduzidos em mais de 20%. O rótulo aplica-se tanto aos alucinados que clamam contra o fim da tolerância de ponto no Carnaval, como àqueles outros que já hoje não sabem como vão chegar ao fim do mês.»
Eu: «Os Descendentes, de Alexander Payne, surpreendente candidato a melhor filme de 2011 por designação da Academia de Hollywood. E surpreendente precisamente por se revelar contra a cultura dominante: é um filme terno, que sugere e não impõe, que prefere o sussurro ao grito e nos fala em linhas e entrelinhas da importância dos laços humanos num mundo que se vai desumanizando a olhos vistos.»
