
Ana Vidal: «A carta dizia apenas: “Vem. A vida é um arame sem rede”. Ela sorriu e foi, porque sabia que a rede é um arame sem vida.»
João Carvalho: «Os livros mudam facilmente de mãos, o que só pode ser bom.»
Laura Ramos: «Conheço-a há quase tantos anos quanto a mim própria e sei que ela é a força de teimar na acção. A obra lúcida, em movimento, contra o mecanicismo económico, os oráculos da estatística, os que olham fixamente – e sem fé– um amanhã enganado.»
Luís M. Jorge: «A Deco informa que um terço dos jovens com mais de 18 e menos de 34 anos pensou em matar-se. Está mal. Numa altura destas, não me parece recomendável que as associações para a defesa dos consumidores andem por aí a dar ideias ao Governo.»
Rui Rocha: «Nome de Julian Assange falado para responsável das secretas. Fonte bem informada garante que o fundador da Wikileaks tem o perfil necessário para assegurar a continuidade do trabalho que tem sido feito.»
Teresa Ribeiro: «Será que tudo o que o génio artístico produz é arte? A pergunta é retórica. Por maior que seja o seu talento também os génios que nos alimentam a alma têm dias maus. Se além de génios forem mentes perturbadas, uma situação que, como se sabe, anda muitas vezes a par, o risco de sermos contemplados com excrescências artísticas aumenta. Sempre que sou confrontada com obras assinadas por loucos consagrados que me são apresentadas como sendo de génio, mas que por um motivo ou outro me inspiraram uma profunda rejeição, fico a meditar nestas coisas. Aconteceu-me há dias, quando vi Melancolia, o último filme de Lars Von Trier.»
Eu: «A CGTP é o mais poderoso instrumento de acção estratégica do Partido Comunista, que após ter perdido os seus bastiões operários e autárquicos recuou com a tenacidade de sempre — um passo atrás, dois passos à frente, recomendava Lenine — para o seu derradeiro reduto, o do sindicalismo nas áreas da administração pública e das empresas públicas, designadamente na área dos transportes. Quanto mais Estado, tanto mais a CGTP se robustece. E quem diz CGTP diz PCP. Não faz qualquer sentido a actual correlação de forças — firmada durante os anos do “processo revolucionário” — na cúpula da central sindical onde os comunistas estão em larga maioria, remetendo independentes, socialistas, católicos e bloquistas para posições minoritárias. Algo sem paralelo na sociedade portuguesa.»
