Por mais paradoxal que soe, a afirmação é exacta – os Torreenses levam o seu Carnaval muito a sério.
Apesar de os primeiros testemunhos relativos ao Entrudo em Torres Vedras remontarem à segunda metade do séc. XVI, só nos primeiros anos de novecentos ele começou a tomar a forma que ainda hoje mantém: para além de bailes associativos e partidas (mais ou menos violentas, os chamados “assaltos”) de vário género – comuns a todo o país – a sede de concelho passou a acolher e organizar, a pouco e pouco, festejos de rua com eixo em corsos compostos por cabeçudos, zés-pereiras, carros satíricos, batalhas de flores, recepções aos ‘reis’ e, claro, cirandas de muitas e inenarráveis matrafonas.
Para 2011 o tema é A Selva, por isso quem lá der um salto ainda hoje previna-se, traje a rigor. Os jovens indígenas continuam a viver animadamente a tradição: as raparigas escolhem máscaras coloridas e femininas, os rapazes… também, mas com a maior falta de graciosidade que lhes é possível (dizem que é uma questão de honra).
E como podem ver em detalhe, clicando na imagem aqui à vossa direita, o Zé Povinho está um bocado atrapalhado – foi caçado por uma tribo de maneirismos canibais…
Se é o mais Carnaval mais português de Portugal não sei, porque todas as componentes nele vertidas têm a sua própria origem noutro lugar (umas no Nordeste do país, outras em França, no Brasil, etc.), mas há uma coisa que dou por certa – este é o micro-clima de folia mais genuinamente divertido que por cá conheço.



Fantastico , e até hoje cada ano melhor…
adorei ver este filme… obrigado
Isabel, encontrei-o ao acaso, via blogues torreenses, e pareceu-me bem merecedor de maior exposição. Encontram-se pequenas pérolas documentais por essa web fora 🙂
…e aquele pedido inicial do produtor, logo aos vinte epoucos segundos: “evitai o desemprego preferindo produtos nacionais”não podia ser mais – como se dizia naquela época – momentoso!