Delito de Tradição, 1 – O Carnaval de Torres Vedras


Ana Cláudia Vicente,

Por mais paradoxal que soe, a afirmação é exacta – os Torreenses levam o seu Carnaval muito a sério.

 

 

Apesar de os primeiros testemunhos relativos ao Entrudo em Torres Vedras remontarem à segunda metade do séc. XVI, só nos primeiros anos de novecentos ele começou a tomar a forma que ainda hoje mantém: para além de bailes associativos e partidas (mais ou menos violentas, os chamados “assaltos”) de vário género – comuns a todo o país – a sede de concelho passou a acolher e organizar, a pouco e pouco, festejos de rua com eixo em corsos compostos  por cabeçudos, zés-pereiras,  carros satíricos, batalhas de flores, recepções aos ‘reis’ e, claro, cirandas de muitas e inenarráveis matrafonas.

 

Para 2011 o tema é A Selva, por isso quem lá der um salto ainda hoje previna-se, traje a rigor. Os jovens indígenas continuam a viver animadamente a tradição: as raparigas escolhem máscaras coloridas e femininas, os rapazes… também, mas com a maior falta de graciosidade que lhes é possível (dizem que é uma questão de honra).

 

Dia de Corso Escolar, 2011

E como podem ver em detalhe, clicando na imagem aqui à vossa direita, o Zé Povinho está um bocado atrapalhado – foi caçado por uma tribo de maneirismos canibais…

Se é o mais Carnaval mais português de Portugal não sei, porque todas as componentes nele vertidas têm a sua própria origem noutro lugar (umas no Nordeste do país, outras em França, no Brasil, etc.), mas há uma coisa que dou por certa – este é o micro-clima de folia mais genuinamente divertido que por cá conheço.

3 comentários em “Delito de Tradição, 1 – O Carnaval de Torres Vedras”

      1. …e aquele pedido inicial do produtor, logo aos vinte epoucos segundos: “evitai o desemprego preferindo produtos nacionais”não podia ser mais – como se dizia naquela época – momentoso!

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