
Vítor Martins e Sevinate Pinto acabam de ser exonerados das suas funções por Cavaco em virtude de defenderem a reestruturação da dívida. Ficamos a saber que em Portugal há opiniões que não se podem ter. Toda a gente sabe que a dívida é impagável, mas não se pode falar da sua reestruturação. Os nossos credores podiam-se ofender e aí, como disse o outro, teríamos o caldo entornado. O país deixou de ser soberano e já não temos o governo do povo, pelo povo e para o povo, como proclamava Lincoln. O nosso governo é hoje o governo dos credores, pelos credores e para os credores. E até a liberdade de expressão em Portugal deixou de ser tolerada. Futuramente, em vez de se falar da reestruturação da dívida, falar-se-á da medida cujo nome não pode ser pronunciado. Resta saber por quanto tempo.

Este blog anda pelas ruas da amargura, com posts deste calibre.
É óbvio e evidente que o PR não deseja ser associado ao manifesto e que pessoas DA SUA ESTRITA CONFIANÇA DEVERIAM SABÊ-LO PERFEITAMENTE.
Misturar isto com liberdade de expressão é completamente esdrúxulo.
Dá para ver que também ficou com a espinha encravada, mas é bom lembrar que eram apenas consultores, não eram porta-vozes, valha-me deus, não havia necessidade. Se a alguma coisa Cavaco poderá ficar ligado será à incompetência.
Porque é que os concelheiros do Cavaco não declaram “que se liche a troica”? Porque ele é um fachista e um inergume.
Este é o presidente que todos ansiavam ter. Íntegro, amigo daqueles que o elegeram, homem que tudo faz, para ver o seu povo feliz…….. Merecíamos melhor porque para verbo de encher, alguém o faria por muito menos.
Ocupavam lugares de confiança pessoal e integravam o quadro da PR , ao contrário dos Conselheiros de Estado .
Se o Luís Menezes Leitão , que ocupa funções de responsabilidade , não percebe isto então não sei o que lhe diga mais .
Ocupavam funções de consultores onde era suposto terem opinião e expressá-la. Não quer dizer naturalmente que o Presidente a seguisse, pois até pode ter outros consultores a dizer o contrário. Mas se o Presidente demite consultores precisamente por terem uma opinião, algo vai muito mal neste país. E uma das razões é precisamente este Presidente.
Agradeço a sua resposta .
Vejo que o mal informado não sou só eu .
Estes senhores eram consultores de áreas específicas e não de política geral .
Por acaso não sou um “borra-botas” qualquer e também desempenhei algumas funções de responsabilidade na vida .
Ora sempre que expressava públicamente uma opinião diversa da dos meus “superiores hierárquicos” dava-lhes conhecimento antecipado de que o ía fazer.
Não foi o caso aqui .
Das duas vezes que o fiz e me tentaram impedir pedi a demissão e tive que ír procurar outro emprego pois estava longe da reforma e tinha família para sustentar .
Foi o que estes senhores fizeram e bem , a meu ver (foram exonerados a “seu pedido” , ainda que eu não seja tão parvo que não imagine que tiveram uma “ajudinha”).
Quanto ao comentário do Sérgio de Almeida Correia vem na linha do seu estilo pessoal que já afastou vários comentadores daqui .
Comparar uma situação com a outra para “entalar” não lhe fica bem : não posso explicar a situação de Fernando Lima porque não a compreendo de todo e não faz qualquer sentido .
Mas estamos a falar deste caso , como é autor no DO faça um post sobre o outro caso e eu comento.
De resto nunca votei no actual PR nem para PM .
Mas eu não tenho “agenda política” …
Portanto não dispare para onde está virado pois neste particular acertou num “aliado” só porque é precipitado .
Podia pôr a questão sem personalizar os “adversários” (os tais comentadores indignados “só com este caso” …) que afinal não o são necessáriamente .
Segundo diz: “Por acaso não sou um “borra-botas” qualquer e também desempenhei algumas funções de responsabilidade na vida”.
Só estranho que, sendo uma pessoa tão importante, afinal se apresente como “anónimo”. No resto, a opinião é livre e o debate também. Por muito que custe a alguns.
Caro anónimo,
Por ter sido chamado à liça num post que não me pertence e apenas pelo facto de ter manifestado uma opinião, não sendo V. Exa. um “borra-botas” qualquer (sic), quanto à questão que coloca sobre o que escrevi, sugiro-lhe a leitura, sem querer ser exaustivo, destes textos que aqui foram publicados:
23/07/2009 Irritantes paralelos http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/876 789.html 927.html 140.html 912.html 3370.html
18/08/2009 Percepções http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/859
18/09/2009 A moscambilha http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/975
22/09/2009 As primeiras lições http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/988
25/09/2009 Harakiri http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/100
Como repará, os textos datam de 2009. Não tenho mais nada a acrescentar sobre esse assunto.
Quanto ao estilo não é novo. É claro e directo, mas admito que haja quem não goste. E não censuro ninguém por isso.
“reparará”
Plenamente de acordo consigo Luís Menezes Leitão. Penso que ainda estamos num país livre, onde cada um, pode pode expressar as suas ideias, ou será que já não existe democracia? É provável, o que é muito grave………
Já no caso das escutas e de Fernando Lima a bitola seguida não foi a mesma. Fernando Lima foi promovido e ainda hoje se mantém por lá.
Porquê? A atitude do assessor não manchava a imagem do PR?
Talvez alguns dos indignados e bem informados comentadores possam explicá-lo.
Parece estar a confundir vários planos. É natural que, em casos de cargos que dependem da confiança pessoal do presidente da república, e havendo dissensão pública sobre matérias de enorme importância, quem discorde do responsável pela sua nomeação se demita. O que está em causa não é o direito de expressão, mas de respeito pelas normas do funcionamento das instituições de qualquer país democrático.
Sobre zangas de credores e soberania: o povo português exerceu a sua soberania ao aceitar orçamentos deficitários, e não era menos soberano quando colocou a dívida nos mercados. Foi igualmente soberano quando recorreu ao auxílio estrangeiro.
Se o nosso governo é o dos credores, evite-se viver do crédito.
Se o A. do post se chegar à frente… mas se não tem meios suficiente, deve perceber que não ter bom bom nome na praça não ajuda ninguém. A presidenta Dilma, por exemplo, disse logo que o Brasil não podia comprar dívida que não fosse AAA, isto é, que não emprestava um tostão a Portugal.
No meio disto tudo, valha-nos que lá fora, os credores (que não estão sob a jurisdição do santo tribunal constitucional) não perceberão bem o que seja “reestruturação” (um neologismo inventado pelo analfabetismo nacional) para gastar um “e” extra.