Delito à mesa (3)


Ana Vidal,

 

Nasceu há exactamente 25 anos, com a modesta intenção de servir sandwiches aos veraneantes de uma praia bonita: a praia de S. Lourenço, concelho de Mafra, quase pegada com a Ericeira. Mas o destino deste Golfinho Azul era saltar mais alto, mais longe. Reinando sobre a escarpa magnífica e com uma vista de cortar a respiração – “Temos um dos pores-de-sol mais bonitos do mundo”, afiança-me Mena, a dona da casa, e não me custa nada dar-lhe razão – o Golfinho chama os banhistas e é incentivo suficiente para a empreitada de subir os 150 degraus que vão a pique desde a praia até este terraço mágico, promessa de bons petiscos e sensações fortes. Aos poucos tornou-se romaria certa para amigos e curiosos, e foi assim que a ementa se foi aprimorando. À noite virava bar, ou não fosse músico (além de pintor) um dos fundadores, apaixonado por sons de blues e jazz vindos de outros ambientes igualmente azuis, o mítico Blue Note. As noites ganharam fama e o Golfinho tornou-se poiso certo de músicos e artistas bem cohecidos. Para dar só um exemplo, ali nasceram algumas das belas composições de Rodrigo Leão. 

 

Mas voltemos aos comes e bebes, que é disso que trata esta série. O Golfinho Azul tem hoje uma ementa variada e apetecível (a especialidade é obviamente o peixe, embora haja bastante variedade de pratos de carne também) a preços perfeitamente razoáveis. O preço médio de uma refeição completa – sopa/entradas, prato, sobremesa e vinho da casa – rondará os 25 €. Recomendo o que me leva lá desde que descobri este restaurante, além da simpatia do serviço e da vista deslumbrante: umas cenourinhas à algarvia muito bem temperadas, a sopa de peixe, depois a moqueca ou o caril de gambas. As sardinhas são também um must da casa, e há pratos vegetarianos para quem conseguir resistir aos sabores e cheiros do mar.

 

Costumo ir almoçar mas, se puder, apareça por lá ao fim da tarde e deixe-se transportar para outra dimensão com o tal pôr-de-sol único. Vale a pena. Depois jante e, se for sexta-feira, fique para uma das jam sessions com os convidados de Naná Sousa Dias. Ao sair, não deixe de procurar a Mena Almeida e dizer-lhe um adeus personalizado. A casa faz questão em cultivar a proximidade com os clientes, e esse é um dos segredos de tanto sucesso ao fim de um quarto de século de existência.

 

Notas:

 

1. Tem estacionamento próprio e fácil.

2. Fecha à segunda-feira.

3. Tem 120 lugares, entre interior e esplanada.

4. Sessões de música ao vivo às sextas-feiras (noite), de 15 em 15 dias.

 

Restaurante Golfinho Azul

R. das Ribas, S. Lourenço

2640-254 Mafra

T: 261 862 945

23 comentários em “Delito à mesa (3)”

  1. Também eu tenho um Delito à mesa para sair, que preguiça!
    Leonor, Mafra é comigo, sem nenhuma assiduidade.
    Mas há um barzinho muito giro na Ericeira onde um dia espero charlar contigo…
    🙂

      1. Ana e Leonor: está combinado. Mas é mesmo a sério!
        Adoro Mafra e a Ericeira, vá-se lá saber porquê, porque não tenho quaisquer raizes
        Deve ser do mar, que eu ‘perfilho’ mal chego. E do Escorial português, que eu conheço tão bem e tão em pormenor (fenómeno circunstancial e isolado).
        – Marquem vocês!
        Eu compareço!

          1. O Nanã Sousa Dias está ligado ao restaurante ? Aos anos que não o vejo, foi do meu grupo de praia em Santa Cruz…

            ( e toda a vida a malta o tratou por Nanã, esta de ser o Naná baralha-me…)

          2. É Nanã mesmo, Fanas. Provavelmente fui eu que escrevi mal o nome. É ele quem organiza as jam sessions e convida os músicos, e há até um prémio para a melhor performance do ano, com o nome do fundador do Golfinho, Gil da Costa.

          3. Ana, só uma pequena correcção…não são jam sessions, são mesmo trios convidados para actuar…por vezes há pessoal que se junta à “festa” mas, os trios são contratados. Se a coisa correr bem (se houver “massa associativa”) as noites de Jazz vão continuar pelo Outono/Inverno.

          4. Fanas, long time no see….ora aqui tens uma excelente oportunidade para apareceres, jantarmos por lá e pormos os sumários em dia, de preferencia num dia em que não seja eu a tocar no Golfinho.

        1. Está combinado pois! Mas lá para depois de dia 5, pode ser?
          Laura, tens de vir ver o Palácio. A envolvente esteve em obras e agora desapareceu o parque de estacionamento. Ganhou uma nova vida e imponência. Há quem refile muito e deteste a obra, eu adoro.
          Mal posso esperar, amigas.

          1. Também me candidato à visita ao Palácio, que já não vou lá há algum tempo. Depois podemos ir almoçar ao Golfinho e pôr a conversa em dia. Que tal?

          2. O palácio-convento de Mafra é um verdadeiro espanto. Pena é que esteja tão mal envolvido, sem distância suficiente para que se possa apreciar o contorno daquela mole arquitectónica impressionante. Ainda bem que existiu um D. João V…
            Essa notícia da proibição de estacionamento em cima do edifício é excelente! Muitas palmas!
            E a Margarida Montenegro, durante o seu ‘consulado’, fez um belíssimo trabalho de marketing naquele espaço despojado (saqueado…) do seu recheio.
            Já lá passei bons momentos, desde os concertos na Basílica aos concertos dos carrilhóes, no ventoso terraço. E é que nem faltam uns estudiosos, malucos do isoterismo, para dar pimenta à coisa 🙂

          3. Laura, não me expliquei bem: a envolvente foi requalificada e está mesmo muito bem. Foi dado espaço para o Palácio respirar e deu-lhe ainda uma outra dimensão. Não é que tenha sido proibido o estacionamento, ele desapareceu por completo. Vou fazer um post sobre isso talvez.
            Já não há concertos de carrilhões há muitos anos, as bases que os sustentam ameaçam ruir se se tocarem. Francisco José Viegas prometeu o restauro. Vamos ver.
            O actual Director do Palácio é muito simpático, muito acessível e felizmente bem menos maniento. Gosto imenso dele
            Pois, sei dessas teorias e de quem falas.

  2. Convenceste-me e assustaste-me: espero que não tenha música ambiente, tipo as orquestras sintéticas e farfalhudas do pomposo Leão. E agora só para me vingar (não de ti, que não mereces, mas através de ti, porque me deste oportunidade): também concordo com a introdução do “k”, do “y” e do “w” na língua portuguesa (lol).

  3. Olá Ana 🙂

    Que boa surpresa, esta sua reportagem/crónica ao Golfinho. Uma justa homenagem! Escrevo-lhe como amiga recente da Mena, como mulher do Nanã Sousa Dias, e como cantora que já actuou por várias vezes neste cantinho tão apetecível.Ah, e também como cliente habitual do Golfinho Azul: e e o Nanã trocámos a cidade pela Ericeira e este é o nosso lugar de eleição para passar o fim de tarde ou jantar. Um abraço com amizade

    Vera de Vilhena

    1. Eu é que agradeço as suas palavras, Vera. Ir ao Golfinho é sempre um prazer e a Mena é uma simpatia. Espero encontrá-la a si também por lá, um dia destes. Um beijo

      (reli agora o post e encontrei-lhe algumas gralhas que tenho de emendar… até o nome do Nanã está errado! 🙂

      1. 🙂 também o meu comentário tem gralhas, mas a malta entende-se 🙂 Quanto ao nome do Nanã, acontece muito, não se preocupe! Eu sei que ELE não se rala minimamente com isso, está habituadíssimo 🙂 Beijinhos, tudo de bom e até breve 🙂

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